{"id":847,"date":"2016-07-06T16:00:03","date_gmt":"2016-07-06T18:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=847"},"modified":"2025-07-04T17:23:45","modified_gmt":"2025-07-04T19:23:45","slug":"homossexualidade-feminina-e-visibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/homossexualidade-feminina-e-visibilidade\/","title":{"rendered":"Homossexualidade  feminina e a visibilidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Estudo faz uso das teorias psicanal\u00edtica, social e liter\u00e1ria para compreender o lugar da homossexualidade feminina na sociedade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falarmos de lesbianismo, falamos de algo que se diferencia de uma\u00a0defini\u00e7\u00e3o mais ampla de homossexualidade. Trata-se de um universo peculiar em que relacionamentos compostos por duas mulheres desafiam a compreens\u00e3o geral, sobretudo devido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o existente em nosso instrumental simb\u00f3lico. Safo, a poetisa grega que viveu na ilha de Lesbos entre os s\u00e9culos V e IV a.C e que liricamente cantou sentimentos de amor entre mulheres, foi o modelo que primeiro ensejou as delicadas particularidades desse tipo de relacionamento humano. Ela deu origem ao nome l\u00e9sbica, que, fazendo refer\u00eancia a uma apropria\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, \u00e9 dado \u00e0s mulheres que se relacionam amorosamente entre si.<br \/>\n<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3069 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/genero1.png\" alt=\"\" width=\"686\" height=\"765\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/genero1.png 686w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/genero1-269x300.png 269w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/genero1-400x446.png 400w\" sizes=\"(max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/>Contudo, esse modelo com origens na antiguidade cl\u00e1ssica n\u00e3o d\u00e1 conta das formas que o lesbianismo tomou no\u00a0desenrolar do s\u00e9culo XX. Contemporaneamente, o lesbianismo surge como um tipo de subjetividade social, que busca, onscientemente, afirmar uma \u201cidentidade l\u00e9sbica\u201d e estabelecer modelossociais positivos. \u00c9 nesse contexto que nos deparamos com uma quest\u00e3o dif\u00edcil:a busca de espa\u00e7o e aceita\u00e7\u00e3o exige que esse\u00a0grupo seja visto e, por\u00a0extens\u00e3o, compreendido. Essa visibilidade social, ainda hoje, \u00e9 muitas vezes negada \u00e0s mulheres que se relacionam com mulheres.<br \/>\nOs movimentos Gays, L\u00e9sbicas, Transexuais e Transg\u00eaneros (GLTT) v\u00eam conseguindo avan\u00e7os no que diz respeito a seus direitos e sua aceita\u00e7\u00e3o junto \u00e0 sociedade, muito embora dentro dessa comunidade alguns subgrupos tenham conquistado mais espa\u00e7o do que outros. Os homossexuais masculinos s\u00e3o o subgrupo que obteve mais sucesso nesse processo; travestis, transexuais e transg\u00eaneros ainda ocupam um lugar marginal; enquanto as l\u00e9sbicas acabam por ocupar um lugar de invisibilidade.<br \/>\nAs atividades desses movimentos sociais e a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento social geraram um ambiente deconsenso a respeito do car\u00e1ter\u00a0\u201cpoliticamente incorreto\u201d do preconceito, o que, por certo, \u00e9 um avan\u00e7o. No entanto, este avan\u00e7o, que se d\u00e1 no n\u00edvel\u00a0coletivo das comunidades, gera o\u00a0risco de que a problem\u00e1tica da homossexualidade &#8211; e do lesbianismo, mais\u00a0especificamente &#8211; seja banalizada, de que a sociedade pense que a quest\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 completamente resolvida, exatamente no momento em que estamos convivendo com o surgimento de novas categorias sociais e conceitos cient\u00edficos que compreendem maisaprofundadamente o desejo que se d\u00e1 pelo semelhante, e n\u00e3o pela complementaridade homem-mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com inten\u00e7\u00e3o de compreender essa complicada din\u00e2mica, o artigo \u201cLesbianismo e Visibilidade\u201d, do Prof. Dr. Christian Ingo Lenz Dunker e da Profa. Dra. Graciela Hayd\u00e9e Barbero, procura entender a invisibilidade\u00a0social do lesbianismo &#8211; apontada como um recorrente\u00a0problema pol\u00edtico pelos movimentos organizados que\u00a0representam a comunidade\u00a0l\u00e9sbica -, assim como compreender os elementos mais \u00edntimos dessa condi\u00e7\u00e3o feminina. \u00c9 feita uma leitura a partir dos elementos dados pela teoria psicanal\u00edtica, pela\u00a0psican\u00e1lise em converg\u00eancia com a teoria social, e pela\u00a0an\u00e1lise liter\u00e1ria de vi\u00e9s psicol\u00f3gico. Os autores procuram, no instrumental te\u00f3rico dispon\u00edvel, recursos que melhor auxiliem a compreens\u00e3o dos processos \u00edntimos do lesbianismo, uma vez que a invisibilidade social desse grupo feminino seria, em boa medida, proveniente da dificuldade de compreens\u00e3o da natureza destes relacionamentos, dificuldade encontrada at\u00e9 mesmo dentro da pr\u00f3pria teoria psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invisibilidade social das l\u00e9sbicas \u00e9 coerente com o momento de tens\u00e3o atual, em que a visibilidade das formas de vida n\u00e3o heterossexuais, e o estabelecimento das respectivas\u00a0identidades sexuais, amea\u00e7am uma ordem simb\u00f3lica ancestralmente estabelecida. Observa-se que o que \u00e9 exterior \u00e0 tr\u00edade heterossexualidade\/ casamento\/ filia\u00e7\u00e3o sofre resist\u00eancia, e essa for\u00e7a de manuten\u00e7\u00e3o poderia ser considerada uma\u00a0forma de ideologia social. Do ponto de vista pr\u00e1tico, os discursos de toler\u00e2ncia e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, muitas vezes, n\u00e3o se estendem \u00e0 esfera individual. Eles n\u00e3o eliminaram os epis\u00f3dios de viol\u00eancia, as situa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o e\u00a0incompreens\u00e3o. Essa realidade faz com que muitos ainda sintam que sua condi\u00e7\u00e3o s\u00f3 possa ser vivida no espa\u00e7o da\u00a0privacidade e da intimidade, ou como diz a express\u00e3o corrente: \u201cno arm\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.ip.usp.br\/revistapsico.usp\/images\/lesbianismo1.png\" alt=\"lesbianismo1\" \/>Na inten\u00e7\u00e3o de contemplar as tens\u00f5es sociais descritas anteriormente, e a perspectiva ideol\u00f3gica da\u00a0invisibilidade l\u00e9sbica, os autores citam a obra do pensador, te\u00f3rico da psican\u00e1lise e da filosofia pol\u00edtica, Slavoj Zizek. Em Um mapa da\u00a0ideologia, por meio de conceitos marxistas ampliados, ele estabelece uma analogia \u00e0 cl\u00e1ssica \u201cluta de classes\u201d, propondo o conceito de antagonismo social. Tecnicamente, Zizek faz uma afirma\u00e7\u00e3o coerente com a perspectiva lacaniana, sugerindo que a realidade n\u00e3o \u00e9 a \u201cpr\u00f3pria coisa\u201d, mas, sim, uma constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que n\u00e3o d\u00e1 conta integralmente do real, h\u00e1 uma parte n\u00e3o simbolizada, segundo ele, \u201cforaclu\u00edda\u201d. Ou seja, a realidade dita e compreendida \u00e9 apenas uma parte do que existe, a realidade que entendemos n\u00e3o passa da realidade que somos capazes de descrever, nunca o real de fato. Viria da\u00ed o\u00a0conflito, o antagonismo social, entre o que \u00e9 represent\u00e1vel \u2013 e por sua vez compreens\u00edvel e preponderante \u2013 e o real irrepresent\u00e1vel, a \u201cpr\u00f3pria coisa\u201d, o que n\u00e3o faz parte do discurso. Fatos sociais in\u00fameros fazem parte desse \u201cforaclu\u00eddo\u201d, o lesbianismo \u00e9 um deles; trata-se de algo que comp\u00f5e o universo do real, mas que n\u00e3o est\u00e1 devidamente representado no discurso social.As analogias feitas por Zizek \u00e0s estruturas de pensamento marxistas, e por sua vez, hegelianas, passam pelo processo dial\u00e9tico (processo de confronta\u00e7\u00e3o de ideias que leva a uma nova conclus\u00e3o, s\u00edntese), e pela import\u00e2ncia da ideologia social. Por meio dessas analogias fica elucidado que a preval\u00eancia da dualidade homem-mulher, que exclui outras formas de sexualidade, em especial o lesbianismo, \u00e9 tamb\u00e9m uma ideologia, n\u00e3o apenas uma quest\u00e3o de car\u00e1ter biol\u00f3gico e psicol\u00f3gico. Ainda dentro da l\u00f3gica marxista\u00a0ampliada, observa-se que uma mudan\u00e7a na ideologia dominante n\u00e3o se d\u00e1 sem que existam tens\u00f5es, sem que atuem for\u00e7as de resist\u00eancia que promovam, por exemplo, invisibilidade de grupos como as l\u00e9sbicas; nas palavras dos autores, \u201cem s\u00edntese, a invisibilidade das l\u00e9sbicas \u00e9, desde esse ponto de vista, uma\u00a0quest\u00e3o ideol\u00f3gica, necess\u00e1ria para sustentar a realidade social na qual vivemos e, fundamentalmente, o ponto no qual a reversibilidade entre \u2018homem\u2019 e\u00a0\u2018mulher\u2019, em sua suposta complementariedade, se veria questionada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A representa\u00e7\u00e3o do relacionamento entre mulheres \u00e9 complexa at\u00e9\u00a0mesmo dentro das fronteiras da teoria\u00a0psicanal\u00edtica estrita. Para a psican\u00e1lise, o lesbianismo \u00e9 \u201cuma das formas de organiza\u00e7\u00e3o do erotismo e da sexualidade: um tipo de escolha de objeto, de identifica\u00e7\u00e3o e de economia de gozo\u201d. A\u00a0sexualidade feminina seria, ent\u00e3o, o resultado de uma determinada posi\u00e7\u00e3o na estrutura desejante, organizada em torno do significante que diferencia &#8211; o falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O falo parece estar sempre presente nas explica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que pretendem entender a sexualidade humana. Assim, relacionamentos que prescindem desse elemento &#8211; material e simb\u00f3lico &#8211;\u00a0em sua constitui\u00e7\u00e3o exigem leituras mais complexas das teorias psicanal\u00edticas. A quest\u00e3o em aberto, segundo os autores, seria entender uma sexualidade parcialmente independente do falo, conceito chave em Lacan e sua teoria da sexualidade feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Lacan, a escolha do objeto amoroso-sexual se baseia na dial\u00e9tica do ser e do ter, onde ser o falo \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o feminina e ter o falo, uma posi\u00e7\u00e3o masculina. Nesse contexto, acaba por n\u00e3o existir uma categoria que contemple a totalidade das mulheres. Trata-se de uma an\u00e1lise feita sempre em rela\u00e7\u00e3o ao significante f\u00e1lico, da diferen\u00e7a entre os sexos, entre as posi\u00e7\u00f5es do masculino e do feminino, em que o falo seria o \u00edndice que d\u00e1 propor\u00e7\u00e3o a essas diferen\u00e7as. Segundo os autores, mesmo quando Lacan, na d\u00e9cada de 1970, retoma a quest\u00e3o freudiana da bissexualidade, que contraria em parte sua teoria da unicidade\u00a0f\u00e1lica, j\u00e1 que prop\u00f5e a teoria do Gozo F\u00e1lico e do Outro Gozo, nada disso\u00a0parece dar conta de uma categoria que explique a totalidade das possibilidades da sexualidade feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa predomin\u00e2ncia do referencial f\u00e1lico faz com que, algumas vezes, os\u00a0relacionamentos entre mulheres l\u00e9sbicas sejam analisados como se elas ocupassem lugares tradicionais no esquema das f\u00f3rmulas de sexua\u00e7\u00e3o. Como se uma das parceiras ocupasse no relacionamento a posi\u00e7\u00e3o do masculino (assumindo uma \u201cimpostura\u201d f\u00e1lica) e a outra a posi\u00e7\u00e3o do feminino, recriando, assim, a l\u00f3gica da complementaridade. Mas o que fazer quando essa l\u00f3gica recriada n\u00e3o pode ser vista no relacionamento entre mulheres? Esta seria a quest\u00e3o, segundo o artigo. \u201cO pr\u00f3prio Lacan reconhece que as mulheres n\u00e3o s\u00e3o totalmente explicadas pela sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao significante f\u00e1lico\u201d, sendo elas descritas como \u201cn\u00e3o-todas f\u00e1licas\u201d. Entre estes n\u00e3o-todos, n\u00e3o h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o de complementaridade. Portanto, Lacan prop\u00f5e que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, a mulher n\u00e3o existe, a mulher \u00e9 n\u00e3o-toda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa estrutura de pensamento, cuja l\u00f3gica nega a motiva\u00e7\u00e3o sexual dos relacionamentos l\u00e9sbicos, entende-se a exist\u00eancia de uma terceira forma de reconhecimento aplic\u00e1vel \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre mulheres, uma forma baseada nos registros sociais e no discurso. Para os autores, \u201cse duas mulheres mant\u00eam uma vida comum, er\u00f3tica e social, h\u00e1 entre elas um discurso\u201d. \u00c9 essa caracter\u00edstica dosrelacionamentos l\u00e9sbicos, relacionamentos em que o significante f\u00e1lico parte da ideologia social dominante, mas, em verdade, n\u00e3o ocupa o lugar principal; rela\u00e7\u00f5es cuja l\u00f3gica se d\u00e1 por meio do discurso, da escolha, o que torna o gozo das l\u00e9sbicas amea\u00e7ante, diferente, dif\u00edcil de compreender e, portanto, pass\u00edvel de invisibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores encontram uma sa\u00edda interpretativa interessante no trabalho da cr\u00edtica liter\u00e1ria, simpatizante da teoria queer, Elisabeth Ladenson, que v\u00ea a quest\u00e3o da sexualidade por meio da obra de Marcel Proust. O trabalho de Ladenson diverge da interpreta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria tradicional da obra proustiana Em busca do tempo perdido, em que a protagonista, Albertine, e suas amigas s\u00e3o vistas como a representa\u00e7\u00e3o da homossexualidade do pr\u00f3prio autor, que n\u00e3o ousou trat\u00e1-la diretamente. Enquanto pensava-se nas mulheres de Proust apenas como meios para uma representa\u00e7\u00e3o pessoal do autor, Ladenson observa que as mulheres da obra seriam algo al\u00e9m, seriam parte de uma proposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica postulada por Proust acerca de um novo tipo de encontro amoroso, diferente do heterossexual e do homossexual masculino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s\u00edntese, neste hipot\u00e9tico modelo de Proust, o homossexual masculino, o invertido, \u201cn\u00e3o deseja seu semelhante, porque sendo ele secretamente feminino, desejaria seu outro\u201d &#8211; e, assim, existiria a complementaridade. As l\u00e9sbicas, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o seriam consideradas \u201cinvertidas\u201d, porque n\u00e3o se definiriam pela gram\u00e1tica da invers\u00e3o, falo\/n\u00e3o-falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proust, portanto, descreve mulheres que desejam outras mulheres,\u00a0independentemente da simbologia usual da complementaridade. Assim, de\u00a0acordo com Ladenson, o lesbianismo hiperboliza \u201co enigma que representa para um homem o desejo de uma mulher, a palpita\u00e7\u00e3o do prazer feminino\u201d. As l\u00e9sbicas s\u00e3o o mist\u00e9rio, \u201ca \u00fanica vers\u00e3o dasexualidade capaz de guardar (proteger) o controle da sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o\u201d. Relacionamentos l\u00e9sbicos seriam, assim, dotados de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria, independente das formas de compreens\u00e3o tradicionalmente aplicadas \u00e0\u00a0sexualidade, independentes do dual prim\u00e1rio entre o falo\/n\u00e3o-falo e, por\u00a0consequ\u00eancia, desafiadoras para a compreens\u00e3o. Elas s\u00e3o, pela inadequa\u00e7\u00e3o aos modelos e ao entendimento geral, fortes candidatas \u00e0 invisibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse vi\u00e9s interpretativo da constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Proust, de um modelo de desejo rec\u00edproco n\u00e3o-f\u00e1lico, coloca a quest\u00e3o do lesbianismo numa forma que ainda n\u00e3o havia sido posta pela psican\u00e1lise. Segundo Dunker e Barbero, \u201cProust v\u00ea as mulheres como dotadas de uma plenitude utossuficiente, n\u00e3o como resultado de uma falta, como pensa a psican\u00e1lise freudiana\u201d. A obra proustiana, ent\u00e3o, postularia a exist\u00eancia de uma economia sexual n\u00e3o f\u00e1lica, o que, politicamente, concordaria com teorias de g\u00eanero desenvolvidas por grupos\u00a0militantes de feministas l\u00e9sbicas, que questionam a l\u00f3gica psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura de Proust traz frescor \u00e0 forma de ver o lesbianismo, ajuda a\u00a0compreender particularidades, e Ladenson \u00e9 eficiente em explicar a novidade do \u201cmodelo\u201d proustiano. Contudo, junto com Dunker e Barbero, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que, embora seja importante a inova\u00e7\u00e3o sugerida pela sensibilidade art\u00edstica de Proust, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abandonar o modelo da teoria psicanal\u00edtica. Mesmo que este n\u00e3o d\u00ea conta por completo da quest\u00e3o, a psican\u00e1lise ainda \u00e9 a forma pela qual s\u00e3o compreendidas as linhas gerais da sexualidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Carolina Sasse<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o por Islaine Maciel e Maria Isabel da Silva Leme<\/p>\n<p>Clique nas no t\u00edtulo para folhear as revistas <strong>psico.<\/strong>usp:<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista_psico.usp_n1_2015.pdf\">Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\" data-wp-editing=\"1\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista-psico.usp-n.-2-3-2016.pdf\">\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo faz uso das teorias psicanal\u00edtica, social e liter\u00e1ria para compreender o lugar da homossexualidade feminina na sociedade Ao falarmos&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":864,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[374,1],"tags":[115,196,186,168,184,197,200,60,17,144,199,22],"class_list":["post-847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-genero","category-sociedade","tag-clinica","tag-feminina","tag-homossexualidade","tag-instituto","tag-lacan","tag-lesbianismo","tag-literaria","tag-psicanalise","tag-psicologia","tag-social","tag-teoria","tag-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=847"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6718,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/847\/revisions\/6718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}