{"id":989,"date":"2016-07-06T14:30:31","date_gmt":"2016-07-06T16:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/?p=989"},"modified":"2025-07-04T17:46:32","modified_gmt":"2025-07-04T19:46:32","slug":"989-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/989-2\/","title":{"rendered":"A rede da resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Projeto de psicologia cultural busca promover di\u00e1logos entre universidade e comunidade ind\u00edgena para preservar a hist\u00f3ria de suas lideran\u00e7as femininas<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-996 size-full\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia.png\" alt=\"\" width=\"1020\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia.png 1020w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia-300x150.png 300w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia-768x384.png 768w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/12\/rede-da-resist\u00eancia-400x200.png 400w\" sizes=\"(max-width: 1020px) 100vw, 1020px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Procurando dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s vulnerabilidades psicossociais enfrentadas pelos povos ind\u00edgenas, o Instituto de Psicologia vem desenvolvendo um trabalho com o povo Guarani desde o in\u00edcio de 2012. Uma das comunidades atendidas pelo projeto \u00e9 a Tekoa Pyau, cujas terras se situam no bairro do Jaragu\u00e1 \u2013 entre a rodovia dos Bandeirantes e a rodovia Anhanguera \u2013 e cuja obten\u00e7\u00e3o de reconhecimento pelo Governo Federal foi recente.<\/p>\n<p>Trata-se do projeto da Rede de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa Ind\u00edgena (Rede Ind\u00edgena), uma atividade de extens\u00e3o do IPUSP que, apoiando-se nas reflex\u00f5es da psicologia cultural, busca o di\u00e1logo inter\u00e9tnico e a promo\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios e aprendizado, tanto para a comunidade ind\u00edgena quanto para os estudantes universit\u00e1rios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.ip.usp.br\/revistapsico.usp\/images\/mama.png\" alt=\"mama\" width=\"734\" height=\"491\" \/><br \/>\nB\u00e1rbara Borba, participante do projeto supervisionado pelo Prof. Dr. Danilo Guimar\u00e3es, relatou \u00e0 revistapsico.usp\u00a0a experi\u00eancia que teve na comunidade do Jaragu\u00e1. Ela conta que a Rede chegou \u00e0 aldeia com a proposta de trabalhar \u201cem conjunto e em paralelo\u201d.\u00a0A aplica\u00e7\u00e3o desse conceito, confirmada pela lideran\u00e7a Guarani da Baixada Santista, Mariano Fernando, prev\u00ea uma parceria com a comunidade num di\u00e1logo que contemple as diferen\u00e7as culturais. Na pr\u00e1tica, coube aos alunos do projeto organizarem rodas de conversas com jovens e mulheres da comunidade para ouvir as demandas dos Guarani e construir com eles, em coautoria, os caminhos que a universidade poderia viabilizar para resgatar a hist\u00f3ria das lideran\u00e7as Guarani, a fim de inspirar e, principalmente, incentivar os mais jovens.<\/p>\n<p>Nos encontros com as mulheres, as alunas fizeram uma abordagem especial. Elas trouxeram como primeiro objeto de interlocu\u00e7\u00e3o um material baseado no livro do Conselho de Mulheres Ind\u00edgenas (CONAMI), intitulado \u201cNatise\u00f1o \u2013 A trajet\u00f3ria, Luta e Conquistas das Mulheres Ind\u00edgenas\u201d. Os Guarani t\u00eam uma presen\u00e7a marcante de lideran\u00e7as femininas; a pr\u00f3pria aldeia do Jaragu\u00e1 tem como exemplo a Cacique Jandira Augusta Ven\u00edcio (Keretchu), falecida em 2012.<\/p>\n<p>Nesta primeira roda de conversa, os estudantes observaram que muitas das mulheres, desde anci\u00e3s at\u00e9 muito jovens, j\u00e1 conheciam as lideran\u00e7as citadas no livro; muitas eram familiares dessas lideran\u00e7as e grande parte das mulheres tinha pap\u00e9is de lideran\u00e7a na sua comunidade. J\u00e1 na segunda reuni\u00e3o, foi proposta a exposi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da lei Maria da Penha, o que abriu a possibilidade de debate sobre algumas quest\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara percebeu em sua experi\u00eancia que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 presente como um problema que afeta a sociedade brasileira no geral e que tamb\u00e9m pode afetar os povos ind\u00edgenas \u2013 embora essa n\u00e3o seja uma pr\u00e1tica comum nas comunidades, pois n\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres na aldeia. As mulheres s\u00e3o alvo do machismo proveniente da sociedade historicamente patriarcal que aportou no Brasil com a chegada dos portugueses. Contudo, o contexto inter\u00e9tnico, mais acentuadamente quando a comunidade se localiza num espa\u00e7o urbano, oferece dificuldades espec\u00edficas a esta popula\u00e7\u00e3o, por serem mulheres e ind\u00edgenas. Se o g\u00eanero feminino, no geral, possui quest\u00f5es que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, \u00e0s mulheres ind\u00edgenas acrescenta-se a carga de s\u00e9culos de hist\u00f3ria nos quais profundos estere\u00f3tipos e preconceitos aliam-se \u00e0\u00a0condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social que o estado brasileiro e setores da popula\u00e7\u00e3o legam aos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>As mulheres Guarani da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1 transitam dentro e fora da Tekoa (habita\u00e7\u00e3o Guarani) e enfrentam problemas sobretudo no exterior de suas comunidades. Por motivos como esse se faz relevante a aplica\u00e7\u00e3o de dispositivos como a lei Maria da Penha tamb\u00e9m para as mulheres ind\u00edgenas. No entanto, \u00e9 muito importante ressaltar que as mulheres Guarani recebem uma forma\u00e7\u00e3o no interior da cultura, transmitida de\u00a0gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de suas estrat\u00e9gias de autodefesa. B\u00e1rbara observou que as Guarani t\u00eam, assim como a Lei Maria da Penha na sociedade n\u00e3o ind\u00edgena, dispositivos para lidar com conflitos que podem acontecer dentro do seu pr\u00f3prio universo cultural<br \/>\nPara Pedro Lu\u00eds Macena, educador Guarani, h\u00e1 a coexist\u00eancia de valores tradicionais, relacionados \u00e0 estrutura familiar e \u00e0 divis\u00e3o do trabalho entre os g\u00eaneros, aliado a um entendimento de que as mulheres t\u00eam um forte protagonismo na comunidade. Ele sublinha que \u00e9 um valor da cultura Guarani o respeito \u00e0 mulher e que, at\u00e9 mesmo por uma perspectiva ligada \u00e0 espiritualidade, s\u00e3o importantes. Segundo ele, as mulheres \u201ct\u00eam mais for\u00e7a espiritual que os homens\u201d, s\u00e3o a base de sustenta\u00e7\u00e3o da\u00a0cultura Guarani e, portanto, seriam merecedoras de grande respeito, sendo em primeira e \u00faltima inst\u00e2ncia, consideradas sagradas em sua cosmovis\u00e3o.<\/p>\n<p>Por Carolina Sasse<br \/>\nColabora\u00e7\u00e3o de Aryanna Oliveira<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o por Islaine Maciel e Maria Isabel da Silva Leme<br \/>\nArte: Ju Bernardo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Clique no t\u00edtulo para folhear as revistas <strong>psico.<\/strong>usp:<\/p>\n<div id=\"attachment_935\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 152px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-935 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2.png 307w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-2-226x300.png 226w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista_psico.usp_n1_2015.pdf\">Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 2015, n. 1<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_933\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 150px;\">\n<p class=\"wp-caption-text\" data-wp-editing=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-933 \" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1.png 305w, https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2017\/11\/revista-1-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-content\/uploads\/sites\/340\/2016\/07\/revista-psico.usp-n.-2-3-2016.pdf\">\u00c9 hora de falar sobre G\u00eanero \u2013 2016, n.2\/3<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de psicologia cultural busca promover di\u00e1logos entre universidade e comunidade ind\u00edgena para preservar a hist\u00f3ria de suas lideran\u00e7as femininas&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":610,"featured_media":996,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[374,1],"tags":[196,37,88,181,90],"class_list":["post-989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-genero","category-sociedade","tag-feminina","tag-genero","tag-indios","tag-mulher","tag-povos-indigenas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/610"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=989"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6731,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989\/revisions\/6731"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/psicousp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}