Assinatura do acordo ocorreu durante o evento Agenda SP+Verde, dentro da programação da ETRI 2025, reunindo representantes da USP, Equinor e Governo de São Paulo.

A cerimônia de assinatura do acordo para o projeto CABRA (Carbon Storage in Brazilian Basalts) marcou um novo passo do Brasil na transição energética e no avanço das tecnologias de captura e armazenamento geológico de carbono (CCS). Realizada nesta quarta-feira (5/11), em São Paulo, a cerimônia integrou a programação da 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI), que neste ano teve parte de suas atividades incorporadas ao Summit Agenda SP+Verde, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo.
Com investimento de cerca de R$ 10 milhões, o projeto é uma parceria entre a Equinor Brasil e o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI-USP). A iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) será coordenada pelo professor Colombo Celso Gaeta Tassinari, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP), e investigará o potencial das formações basálticas da Bacia do Paraná, especialmente na Formação Serra Geral, para o armazenamento mineralizado de CO₂ proveniente de usinas de bioetanol.
Durante a cerimônia, o professor Julio Meneghini, diretor científico do RCGI, destacou o caráter pioneiro da pesquisa e a importância da cooperação entre universidade, governo e empresas. “Graças à Equinor, poderemos estudar com profundidade o potencial dos basaltos brasileiros para o armazenamento de carbono. Trata-se de um exemplo para o Brasil e para o mundo de como a ciência pode contribuir para um futuro mais sustentável”, afirmou.
Representando a Equinor Brasil, Cláudia Brum, vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, ressaltou que o projeto reforça o compromisso da empresa com soluções de baixo carbono e o desenvolvimento de novas tecnologias. “A Equinor tem 30 anos de experiência em armazenamento de CO₂ offshore, mas nenhuma ainda em basaltos. O CABRA é um passo importante para entendermos o potencial de mineralização do CO₂ no contexto brasileiro — e uma oportunidade de desenvolver conhecimento que pode gerar emissões negativas no futuro”, explicou.
Ela também lembrou que o projeto se soma ao histórico da empresa em iniciativas sustentáveis no país, citando o início da produção do campo de Bacalhau, em outubro, com 220 mil barris diários e metade da intensidade de carbono de campos similares no mundo.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, ressaltou em sua fala que não existe sustentabilidade sem ciência, tecnologia e inovação — e também não há ciência e inovação que possam prosperar sem sustentabilidade. “Projetos como este simbolizam a sinergia que precisamos para enfrentar os desafios globais”, afirmou.
Segundo ele, a presença da academia, do governo e da iniciativa privada em torno de um mesmo objetivo demonstra maturidade institucional e capacidade de propor caminhos inovadores. “Sustentabilidade é um tripé que envolve meio ambiente, economia e sociedade — e toda solução deve ser bem estudada para que boas intenções não gerem efeitos indesejados. Esse projeto reflete essa visão integrada”, completou.
A subsecretária de Energia e Mineração, Marisa Maia de Barros, que representou a secretária Natália Resende Andrade Ávila (Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), reforçou a importância do projeto dentro da estratégia climática e energética do Estado de São Paulo, cuja matriz é composta por 60% de fontes renováveis, em comparação a 50% no Brasil e 15% nos países da OCDE. “Este é um exemplo concreto de como ciência, inovação e indústria caminham juntas para uma transição energética justa. A aposta em projetos como o CABRA mostra que estamos nos preparando hoje para as soluções que o futuro exigirá”, afirmou.
O projeto CABRA irá avaliar a viabilidade técnica, geológica e econômica de integrar a produção de bioetanol à captura e ao armazenamento geológico de CO₂. Além dos estudos de caracterização geológica, serão realizados estudos de engenharia necessários para a execução de um possível projeto piloto. Dessa forma, pretende-se avaliar a capacidade de injetividade, volume de armazenamento e tempo de mineralização do CO₂ injetado nas formações rochosas.
Para o RCGI, o CABRA reforça o compromisso da USP com o avanço científico e tecnológico em descarbonização. “A parceria com a Equinor soma experiência industrial e excelência acadêmica, ampliando a capacidade do Brasil de desenvolver soluções de impacto global”, concluiu Meneghini. A cerimônia contou ainda com a presença de Andrea Achoa, gerente de P&D da Equinor Brasil, do prof. Colombo Celso Gaeta Tassinari, coordenador do projeto, além de pesquisadores do RCGI e representantes do Governo do Estado.