Reunião aproximou grupos de pesquisa brasileiros e holandeses e abriu caminho para projetos conjuntos.
O Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) recebeu, no dia 9 de dezembro, a delegação da University of Groningen (UG) para um dia de apresentações institucionais, discussões científicas e reuniões individuais entre pesquisadores, que permitiram explorar potenciais colaborações. A programação também incluiu uma atividade específica para estudantes interessados em oportunidades acadêmicas na instituição holandesa.
As atividades começaram com uma sessão plenária que apresentou os panoramas institucionais da UG, do RCGI e da Escola Politécnica. Pela UG, participaram a reitora da University of Groningen, professora Jacquelien Scherpen, o professor Bayu Jayawardhana, diretor do Engineering and Technology Institute Groningen (ENTEG), e os professores Michele Cucuzzella, Sebastian Wenk e Lorenzo Squintani, além da coordenadora de acordos internacionais da faculdade de engenharia, Liza Ten Velde.
Do lado da USP, estiveram presentes o diretor científico Julio Meneghini e a diretora de Recursos Humanos e Comunicação Institucional, Karen Mascarenhas. A Escola Politécnica foi representada por Marcio Lobo Netto, presidente da CRInt, e por Gilberto de Souza, da Comissão de Pesquisa e futuro vice-diretor da Poli. A sessão contou ainda com a presença de docentes e pesquisadores de diferentes unidades da USP, que acompanharam as discussões ao longo da manhã.
Em sua apresentação, o professor Bayu Jayawardhana retomou a trajetória da engenharia na University of Groningen, destacando que a instituição foi uma das pioneiras na formação de engenheiros na região e abriga um legado histórico que inclui, por exemplo, o desenvolvimento de um dos primeiros veículos elétricos do mundo, em 1834. Ele também ressaltou que a engenharia na UG se desenvolve em forte integração com outras áreas científicas — como química, física, matemática, astronomia e biologia molecular —, o que viabiliza projetos de grande complexidade técnica e interdisciplinar.

Jayawardhana explicou ainda que a universidade mantém quatro escolas interdisciplinares que reúnem pesquisadores de diferentes faculdades para atuar em temas estratégicos: energia e clima; tecnologia digital e inteligência artificial; desenvolvimento sustentável; e saúde pública. Em seguida, apresentou o ENTEG, instituto que dirige, responsável por pesquisas em três frentes principais: engenharia mecânica, de materiais e robótica; sistemas e controle; e engenharia química sustentável e biotecnologia. Ao longo da fala, ele mostrou exemplos de projetos desenvolvidos nesses domínios, abordando desde instrumentação avançada, robótica e sistemas autônomos até processos biotecnológicos e aplicações voltadas à transição energética.
Já o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, apresentou um panorama da dimensão atual do centro. Ele ressaltou que a missão do RCGI é contribuir para a transição energética do país, apoiando o Brasil no cumprimento de suas metas de redução de emissões e no desenvolvimento de tecnologias voltadas a esse processo.
Ao detalhar a estrutura do centro, Meneghini ressaltou que o RCGI reúne mais de 800 pesquisadores e 30 laboratórios associados, mantém 60 projetos de pesquisa ativos e acumula produção científica expressiva, com mais de 5 mil artigos publicados em periódicos e conferências. Também destacou o conjunto de patentes depositadas, prêmios conquistados e colaborações internacionais em expansão, fatores que reforçam o papel do RCGI como um dos principais polos de pesquisa em transição energética do país.
Meneghini apontou a afinidade entre as linhas de pesquisa das duas instituições. “Vejo muitos temas em que podemos colaborar, muito além do hidrogênio”, afirmou. “Nas áreas de controle e escoamento de fluidos, por exemplo, temos afinidade direta. É uma oportunidade de construirmos algo maior do que um projeto isolado.”
Mascarenhas ressaltou a colaboração interdisciplinar destacando a presença e participação de pesquisadores de áreas tecnológicas, mas também de regulamentação, normatização, economia e percepção social.