{"id":32732,"date":"2023-03-01T22:04:18","date_gmt":"2023-03-02T01:04:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/rcgi\/?p=32732"},"modified":"2023-05-31T02:22:23","modified_gmt":"2023-05-31T05:22:23","slug":"descoberta-de-pesquisadores-brasileiros-pode-contribuir-para-aumentar-e-baratear-a-producao-do-chamado-etanol-de-segunda-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/rcgi\/br\/descoberta-de-pesquisadores-brasileiros-pode-contribuir-para-aumentar-e-baratear-a-producao-do-chamado-etanol-de-segunda-geracao\/","title":{"rendered":"Descoberta de pesquisadores brasileiros pode contribuir para aumentar e baratear a produ\u00e7\u00e3o do chamado etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Projeto de engenharia fisiol\u00f3gica, que tem apoio do RCGI, tamb\u00e9m beneficia a <\/em><\/strong><strong><em>alimenta\u00e7\u00e3o do gado na pecu\u00e1ria.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Bioqu\u00edmica de Plantas da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (Bioplan-UEM) e do Laborat\u00f3rio de Fisiologia Ecol\u00f3gica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Lafieco-USP) conseguiram aumentar em at\u00e9 120% a sacarifica\u00e7\u00e3o do baga\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar ao longo de 12 meses. No caso da soja, ocorreu um acr\u00e9scimo de 36% em 90 dias, enquanto a sacarifica\u00e7\u00e3o do capim braqui\u00e1ria cresceu 21% em 40 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ocorreu gra\u00e7as \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de compostos naturais \u00e0s plantas \u2013 um deles \u00e0 base de \u00e1cido metilenodioxicin\u00e2mico (MDCA); outro, com \u00e1cido piperol\u00ednico (PIP); e um terceiro que leva daidzina (DZN). \u201cDesenvolvemos tr\u00eas compostos diferentes, cada um com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, que foram aplicados individualmente \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar, \u00e0 soja e \u00e0 braqui\u00e1ria\u201d, explica o bi\u00f3logo Wanderley Dantas do Santos, coordenador do Bioplan-UEM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Santos, MCDA, PIP e DZN s\u00e3o inibidores da lignina, mol\u00e9cula que confere rigidez \u00e0 parede celular da planta. \u201cDe forma geral, os compostos que desenvolvemos alteram o metabolismo da lignina. Isso facilita o acesso \u00e0 parede celular da planta, que \u00e9 onde est\u00e1 localizada a celulose. Assim \u00e9 poss\u00edvel produzir mais a\u00e7\u00facar, mais carboidrato\u201d.<\/p>\n<p>O experimento, financiado pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) do Bioetanol, est\u00e1 relatado no artigo Natural Lignin modulators improve lignocellulose saccharification of field-grown sugarcane, soybean and brachiaria. O texto, que traz Souza como primeiro autor, foi publicado recentemente no jornal Biomass and Bioenergy. O projeto \u00e9 apoiado pelo Centro de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o em Gases de Efeito Estufa (RCGI, na sigla em ingl\u00eas), que, por sua vez, \u00e9 patrocinado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) em parceria com a Shell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aumento de produ\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 No caso da cana-de-a\u00e7\u00facar, a descoberta pode contribuir para aumentar e baratear a produ\u00e7\u00e3o do chamado etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, feito a partir do res\u00edduo da biomassa (baga\u00e7o) da planta. O grande produtor desse tipo de \u00e1lcool, que corresponde a 1,5% da produ\u00e7\u00e3o nacional, \u00e9 a Ra\u00edzen, joint venture entre Cosan e Shell, situada no interior de S\u00e3o Paulo. \u201cNossa ideia \u00e9 gerar uma cana-de-a\u00e7\u00facar mais f\u00e1cil de sacarificar, ou seja, de extrair os a\u00e7\u00facares das celuloses\u201d, diz Santos, que \u00e9 professor visitante do RCGI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o bot\u00e2nico Marcos Buckeridge, coordenador do Lafieco-USP e do INCT do Bioetanol, atualmente a ind\u00fastria tem um gasto financeiro alto para realizar o chamado pr\u00e9-tratamento, quando se retira a lignina para tornar os carboidratos acess\u00edveis \u00e0s enzimas que ent\u00e3o ir\u00e3o digerir esses polissacar\u00eddeos e assim produzir a\u00e7\u00facares que podem ser fermentados para produzir o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso impacta o custo de produ\u00e7\u00e3o em 30%\u201d, informa Buckeridge, um dos maiores especialistas do mundo em etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o e pesquisador do RCGI. Com a aplica\u00e7\u00e3o dos compostos desenvolvidos pelos pesquisadores seria poss\u00edvel melhor aproveitar a biomassa da cana-de-a\u00e7\u00facar. \u201cCom a modifica\u00e7\u00e3o na lignina, o baga\u00e7o se torna mais f\u00e1cil de ser digerido pelas enzimas. Ou seja, ser\u00e1 necess\u00e1rio utilizar menos enzimas no decorrer do processo. As enzimas correspondem \u00e0 parte mais cara da produ\u00e7\u00e3o do etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o\u201d, prossegue Buckeridge. <span style=\"font-size: 1rem;\">Hoje <\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">boa parte desse baga\u00e7o \u00e9 descartada pela ind\u00fastria. \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o do baga\u00e7o poderia <\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">aumentar em at\u00e9 40% a produ\u00e7\u00e3o de etanol no Brasil\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o do gado<\/strong> \u2013 Os pesquisadores tamb\u00e9m testaram os compostos na braqui\u00e1ria, utilizada para alimenta\u00e7\u00e3o do gado. \u201cNa digest\u00e3o, o animal consegue extrair mais carboidrato desse capim\u201d, relata Santos. \u201cComo o rebanho vai ficar nutrido com menor quantidade de capim, ser\u00e1 poss\u00edvel colocar mais gado por metro quadrado. Isso ajudaria, por exemplo, a evitar o desmatamento para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A soja com lignina modificada tamb\u00e9m poderia servir de ra\u00e7\u00e3o para o rebanho. \u201cHoje, o gado costuma ser alimentado com milho e um complemento proteico. A soja poderia substituir parcialmente esse complemento proteico. Com a aplica\u00e7\u00e3o dos compostos, ela se torna mais palat\u00e1vel em termos nutricionais e deixaria o animal satisfeito com uma por\u00e7\u00e3o menor de alimento\u201d, diz Santos.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa de f\u00f4lego<\/strong> \u2013 De acordo com Santos, o artigo publicado no jornal Biomass and Bioenergy \u00e9 resultado de mais de uma d\u00e9cada de pesquisa. O ponto de partida foi o est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado em Bioqu\u00edmica e Ecofisiologia de Plantas que desenvolveu na USP, sob supervis\u00e3o de Buckeridge, entre 2006 e 2009. Al\u00e9m dos dois pesquisadores, alunos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mestrado e doutorado da UEM e da USP sob a supervis\u00e3o de Santos e Buckeridge tamb\u00e9m assinam o artigo. \u201c\u00c9 um trabalho de equipe\u201d, afirma Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018 os tr\u00eas compostos desenvolvidos pelos pesquisadores obtiveram patente. Isso motivou a cria\u00e7\u00e3o de duas startups, encabe\u00e7adas por estudantes da UEM: a Power Growth e a Biosolutions. Ambas j\u00e1 foram contempladas em editais como o Catalisa, do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Paran\u00e1, e o AWC, realizado pela operadora TIM em n\u00edvel nacional. \u201cA ideia \u00e9 desenvolver um produto a partir de um desses compostos\u201d, esclarece Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a pesquisa ainda est\u00e1 em curso. Agora com recursos do RCGI, o grupo desenvolve um projeto visando testar a efic\u00e1cia da tecnologia na unidade da Ra\u00edzen, sediada em Campinas. Al\u00e9m disso, os pesquisadores est\u00e3o desenvolvendo um coquetel com enzimas e fungos brasileiros para ser usado na produ\u00e7\u00e3o de etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mais depender da empresa europeia que det\u00e9m esse monop\u00f3lio no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCerca de 30% do custo do etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado \u00e0 compra dessas enzimas\u201d, explica Buckeridge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem efeitos colaterais<\/strong> \u2013 Segundo Santos, nenhum dos tr\u00eas inibidores trazem efeito colateral para a planta. \u201cConseguimos chegar a uma dose que promove a sacarifica\u00e7\u00e3o sem prejudicar o crescimento da planta\u201d, afirma o pesquisador. Os compostos tamb\u00e9m n\u00e3o prejudicam outros seres vivos. \u201cEssas mol\u00e9culas t\u00eam apenas carbono, oxig\u00eanio e hidrog\u00eanio. S\u00e3o, portanto, de f\u00e1cil degrada\u00e7\u00e3o no meio ambiente. No caso, a pr\u00f3pria planta destr\u00f3i essas mol\u00e9culas convertendo-as em \u00e1gua e CO 2 . Os compostos n\u00e3o deixam res\u00edduos que posteriormente chegariam aos animais e aos seres humanos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores tamb\u00e9m usaram a chamada engenharia fisiol\u00f3gica para induzir a produ\u00e7\u00e3o de lignina. Em parceria com uma grande ind\u00fastria de fertilizantes do Paran\u00e1, o grupo conseguiu demonstrar que plantas de soja tratadas com esse tipo de composto apresentam entre 30% e 40% mais lignina em folhas, caules, vagens e gr\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso, foram aplicados tr\u00eas tipos de compostos com indutores de lignina. \u201cIsso protege, por exemplo, os gr\u00e3os de danos mec\u00e2nicos que ocorrem durante a colheita, transporte e armazenamento\u201d, diz Santos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m obtiveram sucesso na utiliza\u00e7\u00e3o da engenharia fisiol\u00f3gica para<br \/>\nacelerar a produ\u00e7\u00e3o de mudas para arboriza\u00e7\u00e3o urbana, reflorestamentos e<br \/>\nrecupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas. \u201cAs possibilidades s\u00e3o in\u00fameras e promissoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A engenharia fisiol\u00f3gica \u00e9 uma tecnologia baseada em estrat\u00e9gias utilizadas pelas pr\u00f3prias plantas na natureza. Ela abre todo um novo campo de pesquisa e aplica\u00e7\u00f5es que junto com o melhoramento gen\u00e9tico e a engenharia gen\u00e9tica, apenas come\u00e7a a mostrar seu potencial para contribuir com avan\u00e7o da agricultura e da agroind\u00fastria no Brasil\u201d, finaliza Santos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de engenharia fisiol\u00f3gica, que tem apoio do RCGI, tamb\u00e9m beneficia a alimenta\u00e7\u00e3o do gado na pecu\u00e1ria. 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