Grupo de pesquisa em educação Química – GEPEQ – a química e o compromisso social em nossas vidas

Integrantes do Grupo de pesquisa em educação Química - GEPEQ

Maria Eunice Ribeiro Marcondes

Fabio Luiz de Souza

Luciane Hiromi Akahoshi

Antonio Carlos Camacho

Carlos Eduardo Pereira Aguiar

Felipe Brito dos Santos

Francisco Mateus Alves de Sousa

Isadora Motta Oliveira

Kelly Santana Santana

Matheus Marques Ribeiro

Miriam Possar do Carmo

Nathalia Cristine Freitas Gallizioli

Raniele Aparecida da Silva

Terezinha Iolanda Ayres Pereira

Thais Lopes Romero

Vinicius André Viterbo

Andressa Oliveira Batista da Silva

Davi Gonçalves de Araújo

Guilherme Bento Freire

In memoriam

Luiz Roberto Moraes Pitombo (fundador do grupo)

Yvone Mussa Esperidião

07 de maio de 2026 | 10h00

A história do GEPEQ é uma história longa: lá se vão 40 anos desde que o grupo se formou. Do nosso interesse em contribuir para repensar o ensino de Química, pelos idos da década de 1980, até a formação de mestres e doutores em ensino de Química, já no início deste século, o grupo foi desenvolvendo suas linhas de atuação no campo da pesquisa em ensino, da formação continuada de professores, da divulgação científica junto a estudantes do ensino básico e público, em geral, buscando ampliar a compreensão da realidade do ensino, das necessidades formativas dos professores e do processo educativo.

in memoriam: Prof. Pitombo, Profa. Yvone.

 

Acreditamos que o ensino de química na educação básica é mais uma das lentes que possibilitam a leitura do mundo. Assim,

“A Química pode ser um instrumento de formação humana, que amplia os horizontes culturais e a autonomia, no exercício da cidadania, se o conhecimento químico for promovido como um dos meios de interpretar o mundo e intervir na realidade”. (Brasil, 2003, p. 87).

 

O Grupo de Pesquisa em Educação Química (GEPEQ) surgiu em 1984, como consequência de encontros entre professores do ensino médio e universitários, que tinham como objetivos o aprofundamento da análise da prática docente de cada um dos participantes e a busca de alternativas aos problemas detectados que pudessem contribuir para a melhoria do ensino de química. O grupo apontava que o ensino e os materiais didáticos de Química, de modo geral, enfatizavam a transmissão de informações memorizáveis e não a construção do conhecimento químico e de relações entre a Química e a sociedade. Assim, o ensino de Química pouco estava contribuindo para formar um aluno que pudesse julgar, com fundamentos, os conhecimentos difundidos pelas diversas fontes de informação, e tomar suas próprias decisões, enquanto indivíduo e membro de um grupo social. Com um projeto aprovado no Programa SPEC/CAPES/PADCT, o grupo passou a elaborar  uma proposta de ensino, “Interações e Transformações – Química para o Ensino Médio” (Bosquilha, 1992), propondo, portanto, uma reelaboração do ensino de Química, tendo por base fundamentos teóricos que orientavam nossas decisões.  Nesse projeto de ensino, os conhecimentos químicos estão articulados a questões sociais, e são propostas atividades aos alunos para que desenvolvam habilidades de pensamento mais complexas do que a evocação da memória e simples compreensão de conceitos.  Nos anos de 1990 e início de 2000, o projeto foi utilizado em várias escolas públicas, por professores parceiros do grupo e outros que, ao participarem de formação continuada, se entusiasmaram e passaram a aplicar o material. As escolas da Fundação Bradesco, em todo o país, também passaram, por um período de tempo, a utilizar o projeto “Interações”. Os livros, em um total de 4 obras com os respectivos guias de orientação ao professor, foram publicados pela EDUSP. A obra “Interações e Transformações: Reelaborando Conceitos Sobre Transformações Químicas” foi  ganhadora do Prêmio Jabuti na categoria Livro Didático de 1º e 2º graus, em 1996.

(a)

(b)

Membros do GEPEQ em (a) ENEQ 2004 e (b) comemoração pelo Prêmio Jabuti (1996).

 

Ainda, no âmbito da CAPES/ SPEC, nos anos finais da década de 1990, o GEPEQ participou do Programa Pró-Ciências, de formação continuada de professores, nas três edições em que o programa foi oferecido. Esses foram cursos de longa duração, com envolvimento de cerca de 100 professores de Química por edição. Foi uma experiência muito gratificante no ponto de vista das interações com os professores e muito construtivo para nós na perspectiva do desenvolvimento de pesquisa na área do ensino de ciências. Desde as primeiras aplicações do projeto Interações e Transformações, nos interessamos em investigar como se dava o processo de ensino e aprendizagem na realidade da escola, procurando compreender quais eram os desafios que os professores enfrentavam, e como se dava o envolvimento dos alunos.

Em 1999, o Instituto de Química da USP passou a integrar o Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, sendo acolhido pelo Instituto de Física e pela Faculdade de Educação da USP. Assim, o professor Pitombo e eu, Maria Eunice, nos tornamos, oficialmente, orientadores.

Coerentes com os princípios de nosso grupo, de desenvolver ações educativas que pudessem tornar o ensino de química mais relevante para os estudantes, contribuindo para o desenvolvimento de uma cidadania informada, e que pudessem proporcionar aos professores uma visão da ciência contextualizada socialmente, nossas pesquisas procuraram dar continuidade ao nosso compromisso com a escola pública, valorizando a formação humana, na perspectiva de ampliar conhecimentos sobre o desenvolvimento profissional dos professores de Química, e de entender alguns dos desafios  da aprendizagem da Química entre estudantes do ensino básico. No âmbito do Programa Interunidades, as pesquisas que nosso grupo vem realizando estão integradas, principalmente, nas linhas temáticas de formação de professores e de ensino-aprendizagem de ciências.

A formação continuada, assim como a inicial, de professores de Química e de Ciências, focos de nossos estudos, estão orientadas para a reflexão do professor sobre sua própria prática e suas ideias e crenças sobre a educação, o ensino e a aprendizagem, valorizando as experiências pessoais, profissionais e acadêmicas. Nessa direção, assumimos uma abordagem participativa, a partir de referenciais baseados no grupo colaborativo e em processos reflexivos orientados, considerando que a interação entre professores é fundamental para consolidar saberes da prática profissional, para a socialização tanto de dificuldades como de experiências bem sucedidas de ensino, para reflexões coletivas, e o aprofundamento de conhecimentos práticos e teóricos.

Reafirmando nosso compromisso social, nos envolvemos em ações de divulgação científica, desde a década de 1990, oferecendo às escolas públicas o que chamamos de oficinas temáticas - experimentos de química sobre um tema de relevância social - em que os participantes são os protagonistas, realizando as atividades, procurando entendê-las do ponto de vista dos conceitos e das interrelações dos conhecimentos científicos com aspectos sociais, ambientais, tecnológicos e da vida cotidiana. Procuramos despertar no público escolar o interesse pela Ciência e pela universidade. Esse projeto também tem sido espaço de formação profissional e acadêmica para dezenas de estagiários, alunos de graduação da USP e professores de Química da educação básica, que vêm atuando como monitores nessas atividades.

Nossas reflexões e posicionamentos puderam se refletir em documentos de políticas públicas para a educação, com nossa participação na elaboração dos PCN  (1998) e PCN+ (2002), na área das ciências da natureza (Pitombo e Marcondes), assim como na elaboração do Currículo de Química do Estado de São Paulo, de 2010, e de materiais de apoio pedagógico aos professores. Esses materiais foram utilizados nas escolas públicas paulistas por quase uma década.

Nosso trabalho, seja voltado para ações formativa, de divulgação ou de pesquisa, está apoiado em uma perspectiva CTSA, sendo fundamentado, como citado em uma de nossas publicações (Akahoshi et al., 2018), na formação de pessoas conscientes de seus papéis de participantes ativos em tomadas de decisões sobre assuntos relacionados à ciência e à tecnologia, ou seja, que participem das transformações na sociedade em que vivem, apostando no fortalecimento e ampliação da participação democrática.

Buscamos, em nosso grupo, nos apoiar mutuamente, com nossas reuniões semanais, os encontros de orientação, as conversas entre os pares, guiados pela colaboração, o respeito e a solidariedade entre todos nós. Assim, temos um espaço formativo, de crescimento pessoal e coletivo, em que discutimos, colaborativamente, projetos, o andamento das pesquisas, leituras, trabalhos.

Ao lado de nos sentirmos privilegiados por podermos realizar as ações, aqui descritas brevemente, que têm contribuído para a formação de pessoas e para reflexões sobre o ensino de Química, tivemos alguns reconhecimentos institucionais, como o “Prêmio de Excelência em Cultura e Extensão Universitária Prof. Dr. José Atílio Vanin” (Instituto de Química da USP, 2023), outorgado para a coordenadora do grupo, Maria Eunice,  o prêmio “Prêmio Roseli Pacheco Schnetzler" (Sociedade Brasileira de Ensino de Química, 2023) e a “Medalha Simão Mathias” (Sociedade Brasileira de Química, 2025). Esses prêmios, conferidos à Maria Eunice por diferentes instituições acadêmicas, demonstram a amplitude e a relevância das contribuições do GEPEQ à educação química no Brasil.

Muitas pessoas, ao longo desses anos, colaboraram para a construção e consolidação do GEPEQ - alunos de graduação, de pós-graduação, professores do ensino médio. A todos, nosso agradecimento pelas marcas que deixaram, pelos ensinamentos, pelas boas lembranças.

Parte do Grupo do GEPEQ em 2006

 

Um agradecimento especial, in memoriam, ao Prof Luiz Roberto de Moraes Pitombo, o idealizador de nosso grupo, que abriu espaços no IQUSP para que a área de ensino pudesse se desenvolver.

Grupo atual do GEPEQ

Para conhecer mais sobre o GEPEQ, visite nossa página: https://gepeqiqusp.wixsite.com/gepeq

 


(1) BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+). Ciências da Natureza e Matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC, 2002.

(2) Subprograma Educação para a Ciência, vinculado ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento à Ciência e Tecnologia (convênio entre Banco Mundial e CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

(3) Bosquilha, G. E.; Vidotti, I. M. G.; Pitombo, L. R. M.; Marcondes, M. E. R.; Beltran, M. H. R.; Esperidião, Y. M. Química Nova, 15 (4), 355-371, 1992.

(4) Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, constituído, atualmente, por: Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biociências, Faculdade de Educação e Escola de Arte, Humanidades e Ciências, da Universidade de São Paulo.

(5) Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e Orientações complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+), MEC, 1999 e 2002.

(6) Akahoshi, L. H.; Souza, F. L.; Marcondes, M. E. R. Revista Brasileira de Ensino de Ciências e Tecnologia, 11 (3), 124-154, 2018.