
Integrantes do grupo NUFORMARS: Camila Lima Miranda, Caroline Luisa de Oliveira, Laiane Alves Silva, Laís Mendes Ruiz Cantano, Luciana Silva, Luiza Souza dos Santos e Mateus de Jesus Santos.
Integrantes do grupo NUFORMARS
Camila Lima Miranda
Caroline Luisa de Oliveira
Laiane Alves Silva
Laís Mendes Ruiz Cantano
Luciana Silva
Luiza Souza dos Santos
Mateus de Jesus Santos
Tags
Ensino-Aprendizagem de Ciências, Formação de Professores, Educação do Campo, Grupos de pesquisa, Número 9
Núcleo de Estudos sobre Educação em Ciências, Formação Docente e Representação Social (NUFORMARS)
Quando recebi o convite da equipe editorial da BALBÚRDIA para elaborar um texto acerca de meu grupo de Pesquisa e com a informação que o texto poderia ser construído de duas maneiras: somente por mim ou coletivamente com todos os integrantes do grupo, só consegui pensar que o grupo só existe no coletivo. Assim, não faria sentido um texto escrito no singular. Esse texto foi, então, escrito por muitas mãos, egressos da Licenciatura em Educação do Campo (LECampo): Laiane Alves Silva e Mateus de Jesus Santos, egressa da Especialização em Ensino de Ciências - Anos Finais do Ensino Fundamental Ciências é Dez! (C10): Laís Mendes Ruiz Cantano, egressas/ingressante no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM): Caroline Luisa de Oliveira, Luiza Souza dos Santos e Luciana Silva. Essa construção coletiva reflete o modo como o grupo tem se constituído.
Para narrar a constituição do grupo é necessário retomar uma ideia basilar: um grupo é constituído por pessoas, por histórias, por atravessamentos. Iniciarei por uma breve síntese da minha, não por importância, mas pela cronologia possibilitar a compreensão de como o grupo surgiu. Me chamo Camila Lima Miranda, sou Licenciada e Bacharel em Química pela Fundação Santo André (conclui o curso no segundo semestre de 2007). Após atuar profissionalmente na indústria química por alguns anos, tomei a decisão de exercer a profissão de professora. Assim, em 2010 fui aprovada no concurso público para professores da rede estadual de São Paulo, estado onde nasci e cresci. Além disso, também prestei o processo seletivo para o ingresso no mestrado do Programa Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (PIEC/USP). Assim, ingressei como professora de Química na rede estadual e no mestrado, ambos em 2011. Em 2014 ingressei no Doutorado e o concluí em 2018, pelo mesmo programa, pelo qual nutro imenso afeto.
Minha formação enquanto pesquisadora foi alimentada, ainda, pela atuação em dois grupos de pesquisa, a saber: Linguagem no Ensino de Química (LIEQUI/USP/CNPq), liderado pela Profa. Dra. Daisy de Brito Rezende, minha orientadora durante o Mestrado e Doutorado e, Contexto Escolar, Processos Identitários na formação de Professores e Alunos da Educação Básica (CEPId/PUC-SP/CNPq), liderado pela Profa. Dra. Vera Maria Nigro de Souza Placco, coorientadora da minha Tese. A participação nos grupos supramencionados me propiciou o contato com diferentes referenciais teóricos, metodológicos, objetos de pesquisa e formas de organização de um grupo de pesquisa, culminando na ampliação de meus horizontes acerca da pesquisa, seja no Ensino de Química, seja na Educação.
Em agosto de 2017 me tornei professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), atuando no Departamento de Educação em Ciências, Matemática e Tecnologias (DECMT) do Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação (ICENE), na LECampo, em 2021 passei a atuar no recém-criado PPGECM e, em 2023 no C10.
Atualmente, coordeno o Núcleo de estudos sobre Educação em Ciências, Formação Docente e Representação Social (NUFORMARS) em parceria com o prof. Dr. Wilson Elmer Nascimento, também da UFTM. No âmbito do grupo orientamos estudantes da graduação, da pós-graduação Stricto e Lato Sensu. Temos pesquisado a Educação em Ciências, Formação de professores e Educação do Campo com o aporte teórico da Teoria das Representações Sociais, o uso de narrativas autobiográficas, CTS e práticas sociais.
O grupo tem como objetivo estudar, investigar e problematizar aspectos relacionados à formação docente e à educação científica, com o suporte de referenciais teóricos que dão ênfase aos processos de socialização, contemplem a dinamicidade das relações, possibilitando desenvolver a compreensão de que o modo como representamos o mundo é múltiplo. Tal compreensão pode contribuir na ampliação da visão da Ciência como uma forma de ler o mundo, bem como, no que se refere aos estudos relacionados à formação docente, há o potencial de, a partir desses estudos, se inferir indicativos que contribuam para a compreensão dos processos que envolvam a atividade docente. Esses trabalhos podem oferecer, assim, subsídios para a proposição de ações em cursos de formação inicial e continuada, no âmbito da formação de professores.
De modo a delinear o cenário de constituição do grupo, inerentemente coletiva, como já apontado, o presente texto passará a ser escrito na primeira pessoa do plural. Traremos alguns trechos de falas das autoras e do autor para subsidiar o leitor a essa compreensão.
O NUFORMARS foi institucionalizado e nomeado em 2021, com a criação do PPGECM, momento em que houve a necessidade de formalizar a existência do grupo. No entanto, antes disso já iniciava um movimento de construção do grupo, por meio de processos de orientação, sendo os primeiros: um aluno da LECampo, Magno Rodrigues Santos, e a coorientação da Monaíse Cristina Borges Silva Veronese, de sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFTM, ambos com início em 2019.
Com o tempo, novos estudantes foram chegando, outros saindo, outros permanecendo em função das vicissitudes da vida. Embora reconheçamos a importância da participação em grupos de pesquisa, nem sempre é possível conciliar com as demais demandas da vida, como nos lembra Laís e Laiane: “[...] trouxe oportunidades muito ricas, como a participação em defesas de pós-graduandos do laboratório, ideias, aulas e palestras abertas. Infelizmente não consegui participar de muitas, pois coincidiam com os horários em que eu estava lecionando, mas sempre acompanhei o grupo que me acolheu de forma muito positiva” (Lais) e “[...] devido a correria de ser mãe e trabalhar, hoje não sou tão ativa quanto gostaria” (Laiane). Esse movimento, que inclui momentos em que o grupo tem muitos participantes e outros com menos, é intrínseco à sua construção.
No movimento de construção coletiva do presente texto, ao refletirmos sobre o papel do grupo, duas ideias complementares prevaleceram: o desenvolvimento da pesquisa enquanto construção coletiva e, apoio emocional e social.
A visão de Ciência enquanto empreendimento coletivo é alimentada sob diferentes frentes: a realização de reuniões de trabalho e de estudos com os membros do grupo e, a participação em eventos e socialização das pesquisas em periódicos e congressos da área.
As reuniões têm como objetivos a discussão de textos e dos trabalhos em desenvolvimento, como narra Mateus: “[...] nos primeiros encontros que participei, percebi que cada um/uma estava em sua jornada de elaboração de pesquisa acadêmica e que cada membro do grupo tinha o papel fundamental de somar nos trabalhos dos colegas, dando suas contribuições a partir de sua ótica. O grupo tem como característica a sensibilidade de olhar para o outro e respeitar seu processo. As considerações e críticas — que eram sempre construtivas — nos forçam a olhar para nossa pesquisa sob novos ângulos, nos possibilitando identificar as possíveis lacunas e, assim, melhorá-las. A cada encontro era possível perceber o amadurecimento das ideias, fruto das diversas contribuições e trocas de experiências que aconteciam ali”. Em palavras outras: “os encontros também permitiram que eu pudesse dialogar com colegas, compartilhando reflexões que foram essenciais para o avanço da minha pesquisa” (Caroline). Busca-se, assim, que essa etapa seja formativa para todos os envolvidos.
A segunda frente, por sua vez, visa o diálogo com os pares, externos ao grupo, como lugar privilegiado de construção coletiva: “[...] sinto que a minha orientadora também tem o objetivo de me incentivar a participar de eventos científicos” (Luciana) e “[...] fui motivada a escrever trabalhos acadêmicos para revistas, as quais nunca imaginei conseguir participar. Também apresentei um trabalho no Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC)” (Luiza).
Há também uma visão de grupo de pesquisa enquanto espaço de apoio emocional e social. Luiza destaca que “[...] o grupo forneceu e fornece suporte emocional durante o período de formação acadêmica, algo muito importante, visto que é um momento de bastante inquietude e de ansiedade”. “[...] Quando estava quase finalizando o meu TCC tive muitos problemas de saúde devido a minha gestação, o grupo me apoiava e dava muita força emocional para que acalmasse e entendesse que tudo passaria e correria bem” (Laiane). E assim dialogamos com Luiz Gonzaga do Nascimento Lima Júnior, o Gonzaguinha, quando cantou em “Caminhos do coração”: “[...] E aprendi que se depende sempre de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E, é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente, onde quer que a gente vá. E, é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho, por mais que a gente pense estar...”.
E para finalizar, na perspectiva de um dos referenciais teóricos que alicerça o desenvolvimento das pesquisas do grupo, A Teoria das Representações Sociais, as pessoas agem no mundo a partir do modo como o representam. Assim, para este grupo social, o NUFORMARS, “grupo de pesquisa” é um espaço para construção coletiva e, apoio emocional e social. Com base nessa representação, agimos para a construção desse espaço.
LIMA-JÚNIOR, Luiz Gonzaga do Nascimento. Caminhos do coração. In: GONZAGUINHA (Intérprete). Caminhos do coração. Rio de Janeiro: EMI, 1982. LP.
