{"id":575,"date":"2021-01-25T23:21:47","date_gmt":"2021-01-26T01:21:47","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/tecnologiaseducom\/?p=575"},"modified":"2021-01-26T00:22:59","modified_gmt":"2021-01-26T02:22:59","slug":"o-que-e-plataformizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/tecnologiaseducom\/o-que-e-plataformizacao\/","title":{"rendered":"O QUE \u00c9 PLATAFORMIZA\u00c7\u00c3O?"},"content":{"rendered":"<h1><b>Resenha do Artigo \u201cPlataformiza\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0<\/b><b>de Thomas Poell, David Nieborg e Jos\u00e9 van Dijck<\/b><\/h1>\n<p>Por <b>Maria de F\u00e1tima Morina<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo \u201cPlataformiza\u00e7\u00e3o\u201d foi publicado em 2020 na Revista Fronteiras &#8211; Estudos Midi\u00e1ticos, mas, originalmente, na Internet Policy Review por Thomas Poell, David Nieborg e Jos\u00e9 van Dijck. Os autores articulam, de modo extremamente relevante, as partes das quais se constitui a complexidade do fen\u00f4meno da plataformiza\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou no universo web e hoje envolve as micros e macros institui\u00e7\u00f5es, assim como a cultura, o mercado e a economia globais e suas mudan\u00e7as cont\u00ednuas invis\u00edveis para a maioria, por\u00e9m inexoravelmente impactantes para essa mesma maioria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo do artigo, eles apontam converg\u00eancias e diverg\u00eancias nas estruturas internas das grandes plataformas, das alian\u00e7as mercadol\u00f3gicas e consequentes sucumb\u00eancias, bem como as formas como isso \u00e9 gerido, incluindo a\u00e7\u00f5es regionais e internacionais. Al\u00e9m disso, os pesquisadores ponderam e alertam que, diante da diversidade de padr\u00f5es pol\u00edticos e culturais no mundo, \u00e9 necess\u00e1ria a integra\u00e7\u00e3o de plataformas na sociedade sem prejudicar a cidadania e sem aumentar os abismos socioecon\u00f4micas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa dire\u00e7\u00e3o, o conceito de plataforma precede o Google e o Facebook, quando nos anos 2000 Microsoft, Intel e Cisco eram os l\u00edderes do mercado de plataformas e exemplificaram para estudiosos que se tratava, na verdade, de um mercado de dois lados, em que operadores agregam compradores e vendedores ou editores simultaneamente, basta visualizar um console de videogames para visualizar esse fluxo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso tocou conceitos de administra\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o estrat\u00e9gica e tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00f3. Os conceitos de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram abalados pelo fen\u00f4meno da plataforma no que toca na economia da informa\u00e7\u00e3o e nos usu\u00e1rios enquanto usu\u00e1rios e produtores de cultura. Nesse momento, surgiu o conceito de Web 2.0 de que a internet se tornara um ambiente de desenvolvimento para institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos, que se mostrou como a ampla aplica\u00e7\u00e3o do conceito de rede a servi\u00e7o dos sites que eram donos delas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A exemplo disso, o que \u00e9 o Twitter ou o Instagram sen\u00e3o a converg\u00eancia de v\u00e1rios sistemas, protocolos e redes, mas a representa\u00e7\u00e3o social que se tem de plataformas \u00e9 que elas d\u00e3o espa\u00e7o para a a\u00e7\u00e3o, a conex\u00e3o e a fala com efic\u00e1cia e poder. Tal espa\u00e7o \u00e9 acima de tudo produtivo e econ\u00f4mico, pois induz as pessoas usu\u00e1rias a organizarem suas vidas e manifesta\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o dessas plataformas, cuja miss\u00e3o e vis\u00e3o consolidada \u00e9 gerar lucro aos propriet\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os autores definem plataformas como \u201cinfraestruturas digitais (re)program\u00e1veis que facilitam e moldam intera\u00e7\u00f5es personalizadas entre usu\u00e1rios finais e complementadores, organizadas por<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">meio de coleta sistem\u00e1tica, processamento algor\u00edtmico, monetiza\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de dados\u201d; e plataformiza\u00e7\u00e3o como \u201ca penetra\u00e7\u00e3o de infraestruturas, processos econ\u00f4micos e estruturas governamentais de plataformas em diferentes setores econ\u00f4micos e esferas da vida. E, a partir da tradi\u00e7\u00e3o dos estudos culturais, concebemos esse processo como a reorganiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e imagina\u00e7\u00f5es culturais em torno de plataformas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os autores prop\u00f5em tr\u00eas dimens\u00f5es de estudo institucionais da plataformiza\u00e7\u00e3o com sua variedade de atores e rela\u00e7\u00f5es de poder desiguais e o fazem usando a loja de aplicativos para exemplificar a operacionaliza\u00e7\u00e3o dessas dimens\u00f5es. A primeira \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de infraestruturas de dados; a segunda \u00e9 a mudan\u00e7a de paradigma econ\u00f4mico com os mercadores multilaterais; a terceira \u00e9 a governan\u00e7a com a orienta\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e a orienta\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios. Apenas uma das situa\u00e7\u00f5es explanadas \u00e9 o caso da Play Store do Google, que muda seus algoritmos para privilegiar sinais de dados e prejudicar outros a fim de garantir aplicativos que sejam mais convenientes para ela em termos comerciais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, a plataformiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 inevitavelmente no escopo da educomunica\u00e7\u00e3o, por isso, este artigo \u00e9 imperd\u00edvel para quem se atreve a tentar compreender e a fazer interven\u00e7\u00f5es nos processos da comunica\u00e7\u00e3o e da educa\u00e7\u00e3o hoje.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, Jos\u00e9. <\/span><b>Plataformiza\u00e7\u00e3o <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">(Platformisation, 2019 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o: Rafael Grohmann). Revista Fronteiras \u2013 estudos midi\u00e1ticos 22(1):2-10 janeiro\/abril 2020. Unisinos \u2013 DOI: 10.4013\/fem.2020.221.01.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha do Artigo \u201cPlataformiza\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0de Thomas Poell, David Nieborg e Jos\u00e9 van Dijck Por Maria de F\u00e1tima Morina &nbsp; O artigo \u201cPlataformiza\u00e7\u00e3o\u201d foi publicado em 2020 na Revista Fronteiras &#8211; Estudos Midi\u00e1ticos, mas, originalmente, na Internet Policy Review por Thomas Poell, David Nieborg e Jos\u00e9 van Dijck. 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