{"id":303,"date":"2015-06-01T13:54:40","date_gmt":"2015-06-01T16:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/?p=303"},"modified":"2015-06-25T15:27:42","modified_gmt":"2015-06-25T18:27:42","slug":"brasil-reduziu-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/brasil-reduziu-desigualdades\/","title":{"rendered":"Brasil reduziu desigualdades entre 1960 e 2010"},"content":{"rendered":"<p><em>Brasil se tornou um pa\u00eds menos desigual em v\u00e1rios aspectos, mas persiste a desigualdade entre brancos e n\u00e3o brancos no mercado de trabalho<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/06\/TrajetoriasCAPA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-378\" alt=\"Capa do livro Trajet\u00f3rias das Desigualdades - Como o Brasil mudou nos \u00faltimos 50 anos\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/06\/TrajetoriasCAPA-221x300.jpg\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/1339\/2015\/06\/TrajetoriasCAPA-221x300.jpg 221w, https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/1339\/2015\/06\/TrajetoriasCAPA-400x541.jpg 400w, https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/1339\/2015\/06\/TrajetoriasCAPA.jpg 591w\" sizes=\"auto, (max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Brasil de 2010 \u00e9 um pa\u00eds menos desigual que o Brasil de 1991. A universaliza\u00e7\u00e3o do direito ao voto, do acesso ao ensino fundamental e a expans\u00e3o dos servi\u00e7os como \u00e1gua encanada e energia el\u00e9trica derrubaram barreiras que, 25 anos atr\u00e1s, exclu\u00edam grupos sociais e moradores das regi\u00f5es Norte e Nordeste do mapa de desenvolvimento do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Resistem, por\u00e9m, desigualdades importantes no mercado de trabalho: homens ainda ganham mais que as mulheres e brancos est\u00e3o mais bem colocados que n\u00e3o brancos. A desigualdade entre brancos e n\u00e3o brancos foi a que teve menor redu\u00e7\u00e3o, inclusive na escolaridade. Estes s\u00e3o alguns dos diagn\u00f3sticos que os pesquisadores do Centro de Estudos da Metr\u00f3pole (CEM) apresentam no livro <em>Trajet\u00f3rias das Desigualdades \u2013 Como o Brasil mudou nos \u00faltimos 50 anos<\/em>, que ser\u00e1 lan\u00e7ado em um semin\u00e1rio nesta ter\u00e7a-feira, a partir das 9 horas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP.<\/p>\n<p><strong>Surpresa brasileira<\/strong><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da desigualdade no Brasil contrariou as expectativas te\u00f3ricas das ci\u00eancias sociais, como explica Marta Arretche, diretora do CEM, no v\u00eddeo abaixo.<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/t8xiZM1-zO4<\/p>\n<p>O livro \u00e9 o primeiro grande balan\u00e7o produzido pelas ci\u00eancias sociais sobre as transforma\u00e7\u00f5es pelas quais o Brasil passou em meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Novos bancos de dados<\/strong><\/p>\n<p>Para entender o que mudou, em que ritmo mudou e o que permaneceu ao longo de cinco d\u00e9cadas, os pesquisadores do CEM fizeram tabula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias dos dados dos Censos Demogr\u00e1ficos de 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010, do IBGE. Veja a seguir, o coment\u00e1rio da diretora do CEM.<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/356Sx4ReSeY<\/p>\n<p>A grande massa de dados organizada est\u00e1 dispon\u00edvel no\u00a0<a title=\"site do CEM\" href=\"http:\/\/www.fflch.usp.br\/centrodametropole\" target=\"_blank\">site do CEM<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Por que desigualdades?<\/strong><\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica que torna o livro inovador \u00e9 tratar a desigualdade para al\u00e9m da desigualdade de renda \u2014\u00a0que \u00e9 o enfoque mais comum dos trabalhos anteriores. A abordagem ampla permite uma vis\u00e3o mais completa do que acontece no Pa\u00eds, como se pode ver a seguir:<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/KsXOIpjnYdI<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p>O livro mostra como as desigualdades s\u00e3o afetadas pela participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pelo acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao mercado de trabalho, pelas migra\u00e7\u00f5es, quest\u00f5es de g\u00eanero, rela\u00e7\u00f5es raciais, sa\u00fade, religiosidade, condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e de infraestrutura urbana.<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/wkH58YTUl7g<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>Os 14 cap\u00edtulos do livro tra\u00e7am o retrato de um pa\u00eds que, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1960, era majoritariamente rural e com oferta de servi\u00e7os muito concentrada nas regi\u00f5es Sul e Sudeste. \u201cO Brasil mudou muito nos \u00faltimos 50 anos e isso alterou completamente as condi\u00e7\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o da desigualdades. Em 1960, tinha baixa desigualdade, mas era uma igualdade na pobreza. J\u00e1 em 2010, 85% da popula\u00e7\u00e3o vivia no meio urbano. Multiplicou-se por seis a popula\u00e7\u00e3o que chegou ao ensino m\u00e9dio e \u00e0 universidade desde 1980, as taxas de fertilidade ca\u00edram a partir de 1982. A m\u00e3o de obra abundante e com baixa escolaridade da d\u00e9cada de 1960 n\u00e3o existe mais\u201d.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de mais de 18 anos que chegou ao ensino m\u00e9dio pulou de 6,2 milh\u00f5es, em 1980 para 39,7 milh\u00f5es em 2010; a que chegou ao ensino superior passou de 3,4 milh\u00f5es para 21,5 milh\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o eleitoral se expandiu amplamente: o Brasil passou de um contingente de 7,4 milh\u00f5es de eleitores em 1945 para 135,5 milh\u00f5es em 2010.<\/p>\n<p>A atualidade do tema e a abordagem do livro tamb\u00e9m levantam interesse internacional, principalmente pela compara\u00e7\u00e3o entre a trajet\u00f3ria brasileira e dos pa\u00edses desenvolvidos nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Nos Estados Unidos, os 1% mais ricos concentraram capital entre 1991 e 2012, passando de 12,2% da renda nacional para 19,3%. No Brasil, ocorreu o oposto: Em 1989, o piso da renda dos 5% mais ricos correspondia a 79 vezes o teto da renda dos 5% mais pobres; em 2012, essa raz\u00e3o caiu para 36 vezes.<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/2yzgTn-QnVc<\/p>\n<p><strong>Mulheres e n\u00e3o brancos<\/strong><\/p>\n<p>Outra descoberta foi a grande diferen\u00e7a entre a trajet\u00f3ria das mulheres e dos n\u00e3o-brancos nesses 50 anos. As mulheres conseguiram reduzir mais rapidamente a desigualdade em rela\u00e7\u00e3o aos homens, enquanto os negros n\u00e3o tiveram o mesmo progresso. Em 1981, os homens com renda mais alta tinham o dobro da renda das mulheres na mesma faixa e os brancos, tr\u00eas vezes a renda dos negros. Em 2001, as mulheres conseguiram avan\u00e7ar, com homens ainda ganhando uma vez e meia mais. Esse patamar de diferen\u00e7a s\u00f3 foi atingido pelos negros em 2012.<\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/xYNoeZCQRB8<\/p>\n<p>O trabalho confirma, ainda, a import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Segundo Marta, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a pol\u00edtica educacional a partir do governo FHC produziu um efeito de diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades de acesso \u00e0 escola e, posteriormente, ao mercado de trabalho. No governo Lula, os principais avan\u00e7os foram na redu\u00e7\u00e3o da extrema pobreza e na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais, com avan\u00e7os nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, principalmente.<\/p>\n<p><em>Produ\u00e7\u00e3o de texto e v\u00eddeos: Ana Paula Chinelli, Fabiana Mariz e Silvana Salles<br \/>\nColabora\u00e7\u00e3o: Alexandre Gennari, Djalma Moraes e Thales Figueiredo \/ TV USP<\/em><\/p>\n<p><em><\/em><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es: (11) 5574-0399 \u2013 ramal 128 (Cebrap), na Assessoria de imprensa do CEM; ou (11) 3091-2097 (FFLCH\/USP)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reportagem publicada na<a href=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/?p=210439\" target=\"_blank\"> Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil se tornou um pa\u00eds menos desigual em v\u00e1rios aspectos, mas persiste a desigualdade entre brancos e n\u00e3o brancos no mercado de trabalho O Brasil de 2010 \u00e9 um pa\u00eds menos desigual que o Brasil de 1991. A universaliza\u00e7\u00e3o do direito ao voto, do acesso ao ensino fundamental e a expans\u00e3o dos servi\u00e7os como \u00e1gua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":118,"featured_media":307,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[9,8,11,13,12],"class_list":["post-303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","tag-cem","tag-centro-de-estudos-da-metropole","tag-cepid","tag-livro","tag-trajetorias-das-desigualdades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/118"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":400,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions\/400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}