{"id":661,"date":"2015-08-25T09:00:52","date_gmt":"2015-08-25T12:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/?p=661"},"modified":"2015-09-21T15:47:44","modified_gmt":"2015-09-21T18:47:44","slug":"amazonia-alterada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/amazonia-alterada\/","title":{"rendered":"Paisagem da Amaz\u00f4nia atual mostra ambiente alterado pelos povos antigos da floresta, diz artigo"},"content":{"rendered":"<p>A paisagem da Amaz\u00f4nia &#8212; que se pretende preservar como um \u00edcone da natureza intocada &#8212; foi profundamente influenciada pelos humanos que habitaram a regi\u00e3o desde dois mil anos atr\u00e1s. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o apresentada no artigo de revis\u00e3o publicado na edi\u00e7\u00e3o de 7 de agosto da revista <i>Proceedings of the Royal Society B<\/i>, editada no Reino Unido, intitulado \u201c<i><a href=\"http:\/\/rspb.royalsocietypublishing.org\/content\/282\/1812\/20150813\" target=\"_blank\">The domestication of Amazonia before European conquest<\/a>\u201d<\/i>. Entre os autores, inclui-se o arque\u00f3logo Eduardo G\u00f3es Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.<\/p>\n<p>O texto compila dados levantados nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas para explicar porque a ocorr\u00eancia de uma variedade de esp\u00e9cies de plantas \u00fateis aos seres humanos e de um tipo de solo conhecido como <i>terras pretas de \u00edndio<\/i> nos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos \u00e9 considerada uma forte indica\u00e7\u00e3o de que as sociedades da Amaz\u00f4nia antiga intervieram no ambiente onde viveram. Assim, muitas se\u00e7\u00f5es da floresta tidas como intocadas, foram domesticadas por ancestrais dos atuais povos tupi, aruaques e karib, e de grupos menores, como os pano e os tukano.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-661-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/tamanho_das_aldeias_antigas.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/tamanho_das_aldeias_antigas.mp3\">http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/tamanho_das_aldeias_antigas.mp3<\/a><\/audio>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Tamanho das aldeias antigas:\u00a0De acordo com a revis\u00e3o, as interven\u00e7\u00f5es na floresta permitem estimar uma popula\u00e7\u00e3o de oito a dez milh\u00f5es de pessoas vivendo na regi\u00e3o na \u00e9poca em que Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0 Am\u00e9rica<\/strong><\/h5>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o antiga da Amaz\u00f4nia se dividia em grupos com modos de vida e arranjos pol\u00edticos variados. Essas sociedades teriam desaparecido devido a doen\u00e7as trazidas pelos europeus e \u00e0 press\u00e3o exercida pela conquista.<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 importante por contribuir para o debate internacional travado entre arque\u00f3logos e ec\u00f3logos sobre a ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. &#8220;Essa revis\u00e3o traz para um p\u00fablico principalmente de l\u00edngua inglesa e que n\u00e3o l\u00ea portugu\u00eas informa\u00e7\u00f5es para eles desconhecidas, mas que j\u00e1 circulam h\u00e1 anos na comunidade de arque\u00f3logos e antrop\u00f3logos que trabalham na Amaz\u00f4nia&#8221;, diz Eduardo G\u00f3es Neves. As conclus\u00f5es acompanham a tend\u00eancia predominante entre arque\u00f3logos, mas despertam controv\u00e9rsia entre ec\u00f3logos, particularmente dos Estados Unidos e da Europa. Os ec\u00f3logos veem com ressalvas a ideia de que popula\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 conquista europeia produziram altera\u00e7\u00f5es em escala continental na paisagem amaz\u00f4nica.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-661-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/onde_ficavam_as_aldeias_antigas.mp3?_=2\" \/><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/onde_ficavam_as_aldeias_antigas.mp3\">http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/onde_ficavam_as_aldeias_antigas.mp3<\/a><\/audio>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Achados arqueol\u00f3gicos em Santar\u00e9m, Ilha do Maraj\u00f3 e Manaus, como a cer\u00e2mica Marajoara e grandes assentamentos, indicam a localiza\u00e7\u00e3o das aldeias<\/strong><\/h5>\n<p><strong>O ponto de vista do artigo<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de Neves, assinam o trabalho pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia, da Embrapa Solos, do Departamento de Geografia da Universidade de Wisconsin (EUA), do Departamento de Antropologia da Universidade da Fl\u00f3rida (EUA), da Universidade de Wageningen (Holanda) e do Departamento de Geografia da Universidade do Kansas (EUA). O artigo se divide em seis se\u00e7\u00f5es. Quatro delas se dedicam \u00e0 revis\u00e3o tem\u00e1tica da literatura sobre a ocupa\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Os autores afirmam que a Amaz\u00f4nia \u00e9 um centro de domestica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de plantas. Quando os europeus chegaram \u00e0 Am\u00e9rica, ao menos 83 esp\u00e9cies nativas j\u00e1 haviam sido domesticadas em algum grau; outras 55 esp\u00e9cies eram cultivadas na regi\u00e3o que vai do sul do M\u00e9xico at\u00e9 a Patag\u00f4nia. Um caso especial \u00e9 o da castanha do Par\u00e1. &#8220;\u00c9 comum encontrar castanheiras em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Os dados mostram que uma castanheira pode viver 500 anos, ou at\u00e9 mais, e sabemos que s\u00f3 humanos e cotias dispersam castanhas. Al\u00e9m disso, uma castanheira jovem, para se desenvolver, tem que ser plantada em um lugar onde receba bastante sol. Por isso, nossa hip\u00f3tese \u00e9 que a distribui\u00e7\u00e3o atual das castanheiras, que tem uma escala quase continental na Amaz\u00f4nia, resulta de pr\u00e1ticas de manejo de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do passado&#8221;, explica o professor do MAE.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-661-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/hipotese_dos_castanhais.mp3?_=3\" \/><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/hipotese_dos_castanhais.mp3\">http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/hipotese_dos_castanhais.mp3<\/a><\/audio>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Hip\u00f3tese dos castanhais: planta\u00e7\u00f5es\u00a0seriam resultado de interven\u00e7\u00f5es humanas no passado<\/strong><\/h5>\n<p>Quando arque\u00f3logos falam em domestica\u00e7\u00e3o, querem significar que os povos antigos da Amaz\u00f4nia selecionaram aquelas plantas que melhor atenderam a suas necessidades. Nesse processo, a esp\u00e9cie domesticada se torna geneticamente distinta das suas ancestrais. Sabe-se que h\u00e1 gente vivendo na regi\u00e3o h\u00e1 pelo menos 11 mil anos, e \u00e9 prov\u00e1vel que seja desta \u00e9poca o in\u00edcio das estrat\u00e9gias de sele\u00e7\u00e3o &#8212; embora a transi\u00e7\u00e3o das sociedades amaz\u00f4nicas para sistemas agr\u00edcolas s\u00f3 tenha come\u00e7ado 7 mil anos depois. A mandioca, a batata doce, o cacau, o tabaco, o abacaxi e as pimentas foram alguns dos vegetais domesticados.<\/p>\n<p>Sempre segundo o artigo, pequenos grupos de coletores e fazendeiros das grandes aldeias deixaram rastros na vegeta\u00e7\u00e3o que ainda podem ser percebidos. Os coletores alteravam o ambiente com trilhas que abriam a mata, com fogueiras acesas nos acampamentos e com a pr\u00f3pria atividade de coleta, ao privilegiar os produtos extra\u00eddos de determinadas \u00e1rvores, em detrimento de outras. J\u00e1 os fazendeiros abriam ro\u00e7as, selecionavam plantas e criavam animais. As atividades mais intensivas, como as planta\u00e7\u00f5es e a vida nas aldeias, mudaram a composi\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-661-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/terras_pretas_de_indio.mp3?_=4\" \/><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/terras_pretas_de_indio.mp3\">http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/terras_pretas_de_indio.mp3<\/a><\/audio>\n<h5 style=\"text-align: center\">As terras pretas de \u00edndio aparecem como manchas no solo dos s\u00edtios arqueol\u00f3gico &#8212; um solo escuro e muito f\u00e9rtil, que cientistas da \u00e1rea classificam como antropog\u00eanico<\/h5>\n<p style=\"text-align: left\">Ou seja: um solo que se origina a partir de interven\u00e7\u00e3o humana, pelo dep\u00f3sito de res\u00edduos de fogueiras, por sepultamentos, lixeiras. Essas manchas de terra preta est\u00e3o concentradas nos morros \u00e0s margens dos rios, nos n\u00edveis mais altos das plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o e nas \u00e1reas elevadas entre os vales. &#8220;N\u00f3s sabemos hoje que as terras pretas de \u00edndio foram formadas por atividade humana h\u00e1 pelo menos 2.500 anos&#8221;, diz Neves. Os pesquisadores fazem a data\u00e7\u00e3o a partir da an\u00e1lise de vest\u00edgios org\u00e2nicos carbonizados, como carv\u00f5es, sementes e madeiras. Em alguns casos, tamb\u00e9m datam o solo a partir de sua composi\u00e7\u00e3o mineral.<\/p>\n<p>Os antigos habitantes da Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m alteraram a paisagem com terraplanagem. Eles constru\u00edram monumentos, geoglifos, diques, canais, estradas, valas e aterros, tudo trabalhando a terra. Muitos dos resqu\u00edcios dessas estruturas s\u00f3 foram descobertos mais recentemente, por meio de t\u00e9cnicas de sensoreamento remoto ou como consequ\u00eancia do desmatamento.<\/p>\n<p>Com bases nas evid\u00eancias encontradas na vegeta\u00e7\u00e3o, no solo e na pesquisa de campo dos arque\u00f3logos, os cientistas estimam o tamanho da popula\u00e7\u00e3o nativa da Amaz\u00f4nia em 1492. As estimativas variam: trabalhos mais recentes calculam uma popula\u00e7\u00e3o m\u00ednima de oito a dez milh\u00f5es de pessoas; as mais conservadoras v\u00e3o de um a tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas, e se baseiam em informa\u00e7\u00f5es sobre os modos de vida das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas dos \u00faltimos 200 anos, quando j\u00e1 haviam se reduzido muito em raz\u00e3o da chegada dos europeus.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"padding-left: 330px\">&#8220;Santar\u00e9m, no Par\u00e1, por exemplo, provavelmente est\u00e1 sobre uma cidade mais antiga, uma cidade pr\u00e9-colonial&#8221;<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Esses milh\u00f5es de pessoas se dividiam em diferentes sociedades. Alguns grupos eram n\u00f4mades ou semin\u00f4mades que dependiam da ca\u00e7a e do extrativismo. Mas tamb\u00e9m havia muitas aldeias grandes, constru\u00eddas por popula\u00e7\u00f5es sedent\u00e1rias, que podiam comportar milhares de habitantes, conforme afirmam documentos hist\u00f3ricos datados do s\u00e9culo XVI ao come\u00e7o do s\u00e9culo XX. &#8220;Santar\u00e9m, no Par\u00e1, por exemplo, provavelmente est\u00e1 sobre uma cidade mais antiga, uma cidade pr\u00e9-colonial. A gente acha que tinha outra cidade l\u00e1 pela dispers\u00e3o dos achados arqueol\u00f3gicos. A cidade antiga deve ter ocupado tr\u00eas quil\u00f4metros de beira do rio, mais ou menos&#8221;, estima Neves, que tamb\u00e9m afirma que a Santar\u00e9m anterior aos europeus se conectava por estradas a outros assentamentos vizinhos, como os localizados em Alter do Ch\u00e3o e no planalto de Belterra, ambos \u00e0s margens do rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese do grupo \u00e9 que as aldeias antigas foram cobertas pela floresta depois que a circula\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as trazidas \u00e0 Am\u00e9rica pelos europeus, como a gripe, o sarampo e a var\u00edola, dizimou grande parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena a partir do s\u00e9culo XVI. Os centros interligados por redes de estradas, como a Santar\u00e9m pr\u00e9-colonial, foram os primeiros a sucumbir \u00e0 conquista europeia. Mais tarde, quando os viajantes naturalistas chegaram \u00e0 Amaz\u00f4nia no s\u00e9culo XIX, descreveram modos de vida de pequenos grupos ind\u00edgenas com muita mobilidade e baixa densidade demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><i>O debate cient\u00edfico<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Segundo o professor do MAE, as descri\u00e7\u00f5es cunhadas pelos viajantes naturalistas s\u00e3o um dos fatores que alimentam a controv\u00e9rsia sobre a ocupa\u00e7\u00e3o da &#8220;Amaz\u00f4nia antiga&#8221; e seu impacto sobre a paisagem da regi\u00e3o. Outro fator \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o dos modos de vida dos grupos semin\u00f4mades como uma adapta\u00e7\u00e3o ao meio ambiente &#8220;hostil&#8221; \u2013 tese que foi influente na arqueologia de meados do s\u00e9culo XX. Neves e seu colegas v\u00e3o no sentido contr\u00e1rio, e entendem que a predomin\u00e2ncia de pequenos grupos com muita mobilidade nos relatos do s\u00e9culo XIX \u00e9 resultado de um processo de adapta\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas \u00e0s press\u00f5es exercidas pela conquista europeia e, mais tarde, pela explora\u00e7\u00e3o da borracha. Datam, portanto, dos \u00faltimos cinco ou seis s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Para Pedro Paulo Funari, professor da Unicamp, um dos trunfos do artigo publicado na <i>Proceedings B<\/i> \u00e9 justamente a tomada de posi\u00e7\u00e3o contra a vis\u00e3o sobre o car\u00e1ter delet\u00e9rio do ambiente amaz\u00f4nico para o assentamento humano. &#8220;O artigo mostra, de forma consistente, o ac\u00famulo de evid\u00eancias nessa dire\u00e7\u00e3o. Do meu ponto de vista, conv\u00e9m acrescentar que a posi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria e colonialista de Meggers (Betty Meggers, falecida arque\u00f3loga norte-americana que prop\u00f4s a tese do ambiente amaz\u00f4nico hostil aos assentamentos humanos) fez escola no Brasil, gra\u00e7as ao apoio dos militares e \u00e0 repress\u00e3o aos humanistas que se opunham, l\u00e1 na d\u00e9cada de 1960, a tais posi\u00e7\u00f5es&#8221;, comenta Funari.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-661-5\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/diversidade_da_amazonia.mp3?_=5\" \/><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/diversidade_da_amazonia.mp3\">http:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-content\/uploads\/sites\/67\/2015\/08\/diversidade_da_amazonia.mp3<\/a><\/audio>\n<h5 style=\"text-align: center\">Diversidade cultural e social amaz\u00f4nica: o legado europeu e as novas experi\u00eancias arqueol\u00f3gicas no Brasil<\/h5>\n<p>Apesar de n\u00e3o trazer novas descobertas, o artigo contribui com a atualiza\u00e7\u00e3o de um debate internacional travado entre arque\u00f3logos e ec\u00f3logos sobre a ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. \u201c\u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o que vem sendo proposta h\u00e1 d\u00e9cadas, de que tanto a floresta como as paisagens pr\u00e9-coloniais na Amaz\u00f4nia foram constru\u00eddas pelo homem. N\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia por parte dos arque\u00f3logos, ao menos hoje, a essa interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, conta Denise Gomes, pesquisadora do Museu Nacional, ligado \u00e0 UFRJ.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do consenso dos arque\u00f3logos, alguns autores com quem Eduardo e seus colegas dialogam no artigo se mostram c\u00e9ticos quanto \u00e0 extens\u00e3o do impacto que as sociedades pr\u00e9-colombianas teriam causado na floresta. \u00c9 a posi\u00e7\u00e3o de Crystal McMichael, da Universidade de Amsterd\u00e3, na Holanda; Dolores Piperno, do Smithsonian National Museum Of Natural History, e Mark Bush, do Florida Institute of Technology, nos Estados Unidos. O trio chama a aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade de os densos bosques de castanheiras, por exemplo, resultarem de atividades humanas no per\u00edodo anterior \u00e0 conquista europeia da Am\u00e9rica e tamb\u00e9m nos s\u00e9culos posteriores &#8212; o que colocaria em xeque a tese de que a Amaz\u00f4nia moderna \u00e9 um ambiente constru\u00eddo pelo ser humano.<\/p>\n<p>\u201cAtribuir diretamente uma caracter\u00edstica da floresta moderna \u00e0 atividade pr\u00e9-colombiana \u00e9 ignorar v\u00e1rias centenas de anos de atividade humana p\u00f3s-europeia. \u00c9 necess\u00e1rio dar muito mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 periodiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica porque se sabe que uma por\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel das reconfigura\u00e7\u00f5es da vegeta\u00e7\u00e3o e da paisagem aconteceram nos \u00faltimos s\u00e9culos, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de bosques como os castanhais\u201d, afirma McMichael. Especializada em etnobot\u00e2nica, ela tamb\u00e9m cobra do grupo de Eduardo Neves a defini\u00e7\u00e3o de uma base de compara\u00e7\u00e3o que permita afirmar que as antigas sociedades da Amaz\u00f4nia utilizaram t\u00e9cnicas de enriquecimento vegetal em \u00e1reas mais distantes das aldeias e dos rios. \u201cO trabalho n\u00e3o apresenta base de compara\u00e7\u00e3o entre enriquecimento e padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o natural. Portanto, a hip\u00f3tese n\u00e3o pode ser testada\u201d, conclui.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/101432291@N06\/albums\/72157635417421073\/\">https:\/\/www.flickr.com\/photos\/101432291@N06\/albums\/72157635417421073\/<\/a><br \/>\nRegistro de Trabalho do Laborat\u00f3rio de Arqueologia dos Tr\u00f3picos do MAE\/USP<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paisagem da Amaz\u00f4nia &#8212; que se pretende preservar como um \u00edcone da natureza intocada &#8212; foi profundamente influenciada pelos humanos que habitaram a regi\u00e3o desde dois mil anos atr\u00e1s. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o apresentada no artigo de revis\u00e3o publicado na edi\u00e7\u00e3o de 7 de agosto da revista Proceedings of the Royal Society B, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":688,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[22,28,31,26,25,29,33,32,30,27,34],"class_list":["post-661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","tag-amazonia","tag-aruaque","tag-eduardo-goes-neves","tag-floresta","tag-indios","tag-karib","tag-mae","tag-museu-de-arqueologia-e-etnologia","tag-royal-society-b","tag-tupi","tag-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=661"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":700,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/661\/revisions\/700"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/trampos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}