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A escuta institucional começa a se organizar no campus. Em maio e junho, o 1º Encontro de Cuidado à Saúde Mental — a semente pública do que viria a ser o Centro.
O 1º Encontro
Nos dias 31 de maio e 1º de junho de 2019, o campus se reuniu no 1º Encontro de Cuidado à Saúde Mental e Promoção do Bem-Estar Estudantil. O evento teve dupla função: lançar publicamente a proposta do que viria a ser o Centro Cuidar e produzir, em conjunto, um diagnóstico das necessidades do campus. A metodologia do World Café colocou estudantes, docentes e servidores nas mesmas mesas, em rodadas de conversa que se cruzavam. Dali saíram as sementes que orientam o Centro até hoje: a crítica à competitividade e à fragmentação entre os cursos, a percepção da linguagem acadêmica como barreira, a demanda por um plantão psicológico permanente, a proposta de mentoria entre estudantes — e a ideia de que saúde mental se cuida todos os dias, não só em campanhas.
Durante a pandemia, o cuidado se reinventa no remoto: oficinas online e transmissões pontuais mantêm o laço quando o encontro presencial não é possível.
A FOB-USP oficializa a criação do Centro Cuidar (julho). No retorno do ensino presencial, nasce o piloto do programa de Mentoria, inspirado na experiência de suporte à formação da FMUSP. Em outubro, no 7º Congresso de Graduação da USP, o encontro com o Programa ECOS, recém-lançado pela PRIP, planta a semente do ECOS de Bauru. No fim do ano, aprovada a verba para as obras da sede.
A formalização e o encontro fundador
Em julho de 2022, a Portaria GD-042/2022 formaliza o Centro Cuidar na FOB-USP — a institucionalização de uma concepção que nascera em 2019. No retorno do ensino presencial, o programa de Mentoria é ensaiado como piloto no curso de Medicina, inspirado na experiência de suporte à formação da FMUSP. Em outubro, durante o 7º Congresso de Graduação da USP, o Centro encontra o Programa ECOS, recém-lançado pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento: os eixos do programa — primeiro contato, primeiros cuidados psicológicos, acesso equitativo à rede e cultura de cuidado na comunidade — ressoam com o que Bauru vinha construindo, e desse encontro nasce o ECOS de Bauru. No fim do ano, é aprovada a verba para as obras da sede.
O ECOS de Bauru toma corpo e amadurece como dispositivo de escuta entre pares — gestado pelo Centro, inspirado no programa da PRIP e adaptado ao campus; a experiência vira pesquisa de doutorado. Em 2023, uma Oficina de Primeiros Cuidados Psicológicos e uma mediação de conflitos no campus.
O ECOS de Bauru e a primeira mediação
Em setembro de 2023, o ECOS de Bauru começa a girar: treze estudantes de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina formam um dispositivo de escuta entre pares, gestado pelo Centro como projeto de pesquisa-intervenção e viabilizado por bolsas articuladas junto à PRIP. No mesmo mês, o seminário do Setembro Amarelo, em parceria com o Centro Cultural da USP Bauru, discute como acolher crises e cultivar o cuidado na comunidade universitária. Em outubro, uma oficina de Primeiros Cuidados Psicológicos. Em novembro, a primeira mediação de conflitos do Centro: uma turma de ingressantes atravessada por um conflito com dimensões raciais e de classe aceita o convite para uma roda — sem buscar a paz a qualquer custo, criando espaço seguro para que nenhuma violência fosse invisibilizada. Nas semanas seguintes, a convivência da turma se reconstrói.
O I Workshop Acadêmico de diversidade acontece — e dele se desdobra o Grupo de Prática Escuta Docente (GPED). A coordenação inicia a formação de mediadores de conflito e conciliadores da USP (FDRP/PRIP).
A virada para docentes e servidores
Em março de 2024, o I Workshop — Educação em Tempos de Diversidade — reúne o corpo docente em torno de uma constatação: mais do que capacitação técnica, o campus precisava de lugares para escutar e ser escutado. Dele nasce o Grupo de Prática Escuta Docente (GPED), que ao longo do ano estuda e pratica Comunicação Não Violenta e as dinâmicas de poder nas relações de trabalho. Entre abril e junho, as rodas Acalourando acolhem ingressantes. Em paralelo, a coordenação inicia a formação no Curso de Mediadores de Conflito e Conciliadores da USP (FDRP/PRIP) — e o trabalho de avaliação daquele ano já esboça um sistema de gestão de conflitos para o campus, com o Centro como eixo. Em agosto, o ciclo estudantil do ECOS de Bauru se completa: a experiência vira pesquisa, as estudantes escrevem um artigo coletivo sobre o que viveram, e as lições desse ciclo passam a orientar as frentes seguintes do Centro — o cuidado que se sustenta é o que se cultiva em rede.
O II Workshop, já em formato de encontros mensais. O GPED se transmuta nos Círculos Ubuntu e a jornada de guardiões começa. Novo Regimento (Portaria GD/025-2025/FOB): o Centro amplia seu escopo para o bem-viver de toda a comunidade. Após anos de tramitação, iniciam-se as obras da sede.
Os Círculos Ubuntu e a sede
Em abril de 2025, três apresentações abertas lançam os Círculos Ubuntu; cerca de setenta pessoas comparecem. Do grupo inicial decanta-se uma coorte de quinze a vinte guardiãs e guardiões — servidores e docentes — que atravessam juntos a jornada formativa: a prática de Council, a escuta de necessidades, os estados-limite do cuidado, as lentes do poder e os letramentos de gênero, neurodiversidade e relações raciais. O GPED completa seu ciclo e se transmuta nos Círculos. Em março, após anos de tramitação, começam as obras da sede. O novo Regimento (Portaria GD/025-2025/FOB) amplia o escopo do Centro para o bem-viver de toda a comunidade do campus.
A sede é inaugurada e, entre abril e maio, ocupada de fato. Em fevereiro, os Círculos Ubuntu chegam aos calouros na XXVIII Semana de Recepção. O III Workshop, mirando a entrada no calendário fixo do campus. Em maio, a coordenação integra a equipe de mediação entre estudantes e Reitoria da USP; em junho, o Centro participa do IV Seminário de Mediação em Ambiente Universitário, na USP São Carlos. As oficinas vivenciais de guardiões e a Teia de Bem-Viver em concepção.
A sede ocupada, a recepção e a mediação em escala USP
O ano começa com a inauguração formal da sede; a ocupação real do espaço se concretiza entre abril e maio, com a chegada dos primeiros móveis. De 22 a 26 de fevereiro, na XXVIII Semana de Recepção aos Calouros da FOB e da FMBRU, o Centro leva aos ingressantes uma atividade inédita — Círculos Ubuntu: acolhimento e diversidade para os calouros —, apresentando a experiência da roda logo na chegada ao campus. Em maio, o lançamento do III Workshop é o primeiro evento público oficial no novo espaço.
Também em maio, em decorrência dos trabalhos do Centro, a coordenação é convidada a integrar a equipe de mediação entre representantes dos estudantes e a Reitoria da USP, durante a greve estudantil. Entre os dias 16 e 25, a equipe conduz um processo estruturado de diálogo — sessão de abertura, sessões privadas com cada parte, duas sessões conjuntas e a recomposição acordada da representação estudantil —, orientado pelos princípios da voluntariedade, da equidistância, da confidencialidade e do sigilo legal da Lei de Mediação. O percurso fica documentado em oito notas públicas, assinadas digitalmente, e o ciclo se encerra com a troca formal e pública das propostas de cada parte — entre elas, a possibilidade de um espaço permanente de diálogo institucional entre a Reitoria e o corpo discente. As decisões, do início ao fim, pertenceram às partes.
Em junho, o Centro participa do IV Seminário de Mediação em Ambiente Universitário, promovido pela PRIP e pela Unicamp na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), nos dias 8 e 9 — dois dias de discussão de casos e palestras com profissionais da conciliação e da mediação. A mediação, que em 2023 fora uma resposta artesanal a um conflito de turma, torna-se frente formada, praticada e reconhecida em escala USP.
