A influência da família nas trajetórias de carreira

De acordo com Tania Casado e Ricardo Basaglia, as demandas do mercado estão cada vez mais voltadas às experiências individuais

Há, de fato, um dilema entre escolhas pessoais de carreira e a pressão da família em seguir uma determinada tradição profissional. Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da instituição diz que mães e pais não podem exigir que suas filhas e seus filhos sigam a mesma trajetória que a família, pois as carreiras não são mais as mesmas nos dias atuais. Além disso, aconselha que as mães e os pais podem ajudar as filhas e os filhos na descoberta de potenciais, como destacar em qual disciplina ou área na escola ela ou ele tem melhor desempenho.  

A docente propõe começar a construção da rede de relacionamento profissional já na faculdade. Por isso, recomenda fazer estágios durante a graduação (de preferência em organizações de diferentes culturas), participar de extensão universitária, colaborar em centros acadêmicos, atuar em voluntariado de entidades estudantis ou sociais, dentre outras atividades complementares. Ademais, explica que uma atividade simples de autoconhecimento pode ser feita por estudantes: pedir para familiares, amigas/os, professoras/es e outras pessoas de confiança para preencherem uma folha escrevendo o que você precisa deixar de lado, aquilo que deve continuar realizando e coisas que podem começar a serem feitas. 

Ricardo Basaglia, diretor-geral da Michael Page, afirma que em situações nas quais a/o estudante precisa trabalhar não por experiência, mas sim por necessidade econômica, é preciso tentar mostrar para a empresa que você pode agregar de outra forma no cotidiano da firma, indo além das suas tarefas usuais. Aqui, o comportamento é valorizado, uma vez que, segundo ele, as/os profissionais são contratadas/os pela competência técnica, porém demitidas/os pelas atitudes.

Ressalta, também, que apesar do impacto da economia sobre a geração de empregos, é importante ter em mente que o mercado está em constante evolução e muitas posições serão afetadas pelo impacto da tecnologia. Dessa forma, é fundamental que as pessoas também se adaptem às transformações, acompanhando o ritmo das empresas. Isso fica mais claro ainda em contextos de crise, dado que as vagas que são perdidas não retornam sob a mesma configuração, pois as corporações se tornam mais eficientes e passam a demandar outras habilidades. Para conseguir emprego nesse cenário, assinala a importância de se investir tempo buscando conhecer melhor a organização almejada, compreendendo quais serão os desafios e os perfis privilegiados por ela. 

Por Lucas Oliveira Ribeiro e Ricardo da Silva Domingos

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=8tLUNmGdb3w