O trabalho remoto em 2020

Trabalhadores somam excesso de tarefas, isolamento e cuidado com filhos

Com o início da pandemia, a vida de muitos trabalhadores ao redor do mundo foi afetada. O home office – situação na qual o profissional cumpre suas tarefas a partir de seu próprio domicílio – não é uma prática que surgiu com a pandemia. Contudo, tendo em vista a crise sanitária da covid-19, trabalhar em casa foi uma das poucas alternativas para as empresas manterem o trabalho de seus funcionários sem expô-los a grandes aglomerações – seja no transporte público, seja no próprio ambiente de trabalho -, diminuindo, dessa forma, o risco de contágio.

No entanto, apesar de seus vários prós, o home office não é exatamente uma prática inofensiva: é associado, muitas vezes, ao esgotamento físico e mental. Em um cenário onde muitas pessoas estão em quarentena sozinhos ou com sua família, para muitas delas o teletrabalho não significou redução do volume de trabalho, pelo contrário. São vários os relatos denunciando que a carga diária, desde o começo da pandemia, aumentou – principalmente a das mulheres, que, ao contrário dos homens, sofrem a pressão para cumprir também as funções domésticas. Para muitas pessoas, a jornada começa antes do horário comercial e termina depois – em muitos casos, até o intervalo do almoço é afetado. Isso gera ansiedade e estresse em vários profissionais, que se veem cada vez mais atarefados pelas responsabilidades do trabalho a distância, enquanto fora de suas casas e apartamentos se desenrola a maior crise sanitária deste século.

Nesse sentido, é importante ressaltar o papel das empresas na manutenção do bem-estar de seus funcionários. Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, acredita que é importante que a companhia deixe claro que, apesar de a situação não ser a mesma, as tarefas continuam, e que são tempos que exigem mais empatia. É necessário também que exista um canal para que os trabalhadores possam encaminhar suas demandas, pois deve-se evitar que o teletrabalho seja uma via de mão única. Ainda na opinião da docente, o home office deve continuar sendo a realidade de muitas pessoas mesmo com o fim da crise sanitária. Segundo ela, apesar da adoção abrupta do trabalho remoto, muitos trabalhadores já se adaptaram a esse novo estilo de vida e devem continuar nesse modelo.

Por Lucas Oliveira Ribeiro e Ricardo da Silva Domingos.

Fonte: https://folha.com/zmphi87b