André Luiz Marcondes Pelegrinelli

Produção e circulação de obras e manuscritos da Observância Franciscana: uma história conectada das hagiografias observantes

Eixo: Comunicação e Circulação

Resumo do projeto individual: A terceira geração de frades observantes (após 1450) reelaborou o panteão de santos franciscanos e sua meória histórica com a criação de compilações hagiográficas e crônicas. O Specchio dell’Ordine Minore (Franceschina), de 1474, de Giacomo Oddi (1400[?]-1487), foi elaborado a partir de dois grupos principais de textos hagiográficos: compilações anteriores e narrativas contemporâneas. Uma vez que a realização daquela obra só foi possível graças à circulação de manuscritos hagiográficos, a presente pesquisa, conectada ao Núcleo Temático “Comunicação e Circulação”, tem como objetivo mapear a circulação desses manuscritos observantes e ao mesmo tempo estudar a influência dessa circulação na produção desses manuscritos. Partindo da obra de Oddi, buscamos: (1) pensar o espaço e a prática da circulação de textos e imagens hagiográficas nas comunidades observantes e (2) analisar as conexões entre textos e imagens nos manuscritos. Norteados pela noção de conectividade da História Global, realizaremos, com base nas edições críticas modernas das obras e trabalho de campo, um levantamento extenso de manuscritos hagiográficos observantes e faremos sua descrição codicológica, o que nos permitirá elaborar um quadro comparativo, cronológico e hagiográfico, das circulações e influências entre esses manuscritos. Tais resultados serão publicados em textos científicos, além de produtos coletivos a que se pretende o projeto, como: a) inserção de dados no mapa interativo “História Conectada Medieval”; b) exposição virtual e/ou física; c) divulgação científica; d) capacitação de pesquisadores para o uso de ferramentas digitais.

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Arthur Rocha Martins Rodrigues Teixeira

De Sodoma e De Iona na formação da Sodomia enquanto prática sexual desviante

Eixo: Comunicação e Circulação

Resumo do projeto individual: A proposta desta pesquisa é investigar a produção e circulação dos poemas exegéticos De Sodoma e De Iona nos monastérios dos séculos XI-XIII e suas funções enquanto referência didática nos estudos bíblicos para a devoção monástica e formação de confessores. A exegese narra a história de Sodoma e Gomorra em Gênesis 19, relacionando aos habitantes de Sodoma práticas sexuais desviantes. Sabe-se que esses textos foram amplamente utilizados desde Agostinho até o surgimento da lectio divina nos monastérios, e serviram como referência para diversas outras exegeses bíblicas. É importante destacar que as conexões em torno desses textos não são amplamente difundidas, não se sabe ao certo quem é o autor ou a data de autoria, especula-se que entre os séculos III-VI. Atualmente encontram-se manuscritos dos séculos IX-XIII em Laon, Leiden, Vienna e Nápoles, o trânsito desses escritos ainda não foi explorado, nem ao menos as coleções nas quais aparecem e quais seus objetivos levando em conta um amplo contexto da localidade, dos livros nos quais estão compilados, os textos que os acompanham e a sua função dentro do monastério. O objetivo é avaliar o impacto dos poemas na formação da Sodomia enquanto um pecado sexual, assim como as redes de informações que se formam em torno dos manuscritos, buscando diferentes interpretações e usos do mesmo documento em localidades e contextos distintos.

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Caio Féo

[Em Construção]

Eixo: [Em Construção]

Resumo do projeto individual: [Em Construção]

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Debora Gomes Pereira Amaral

Iconoclastia e crucifixos milagrosos no reino de Valência (séc. XIII-XVI)

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: Na Península Ibérica, em meio ao processo conhecido como Reconquista cristã, deparamo-nos com algumas narrativas de milagres que contribuíam tanto para afirmar a centralidade do cristianismo como para justificar e manter a política de reorganização do território, que era feita por meio de doações de terras a cristãos e criação de judiarias e mourarias, segregando os não-cristãos e acirrando as tensões entre as diferentes religiões. Tais narrativas com frequência envolviam imagens religiosas, que tiveram grande protagonismo nas relações entre cristãos velhos e convertidos, judeus e muçulmanos, seja por seu culto, seja por sua rejeição, como demonstram os relatos de agressões a imagens que resultaram em reações consideradas milagrosas. Iremos estudar três desses relatos milagrosos que envolviam crucifixos, que têm a particularidade de ainda hoje existirem e serem cultuados: o Milagre do Santíssimo Cristo de Salvador (que teria sucedido em 1250, tendo sido configurado como uma decorrência da Passio Imaginis do Cristo de Beirute e do Crucifixo de Nicodemus), o Milagre do Santíssimo Cristo do Grao, de 1411, e o Milagre do Cristo de Resgate, de 1539. A partir da análise dessas narrativas em diferentes fontes, tanto escritas quanto pictóricas, buscaremos entender tanto as demandas locais como a circulação dessas lendas e objetos de culto (nestes casos, os crucifixos) pelo Mediterrâneo. Para isso, consideraremos os diversos significados, usos e funções que as imagens poderiam assumir, tanto na perspectiva cristã quanto das outras comunidades religiosas, valendo-nos das premissas metodológicas da História Global.

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Diego Aparecido de Souza Pereira

Eucaristia e construção social: mudanças nas relações entre as comunidades latina e grega a partir das querelas berengariana e azimista
(século XI)

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: Durante a segunda metade do século XI (1049-1079), duas querelas agitaram o pensamento eclesiástico. Em uma delas, o arcediago de Angers, Berengário, defendia uma interpretação real, mas não corpórea da presença de Cristo na eucaristia. Na outra, clérigos latinos e gregos redescobriam antigas diferenças e debatiam, especialmente, o tipo de pão utilizado na celebração eucarística. Ainda que em contextos diferentes, as querelas berengariana (1049-1079) e azimista (1053-1054) colocaram em jogo a interpretação e a liturgia do sacramento do altar, presença fundamental no cotidiano das sociedades cristãs do período. As controvérsias renderam condenações de parte a parte, sendo o chamado Cisma do Oriente, em 1054, a mais importante. Embora contemporâneas, tais disputas foram majoritariamente estudadas como fenômenos separados. Este projeto propõe um novo olhar a respeito das relações entre as comunidades grega e latina a partir do estudo conectado das querelas, que compartilharam não apenas o tema em disputa, mas também diversos personagens. O mais proeminente deles, Humberto de Silva Candida, foi o responsável pelas excomunhões do patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário, em 1054, e do arcediago Berengário, em 1059. Pretendemos identificar e compreender as ideias de comunidade em questão tendo em vista o caráter fundante da comunidade cristã que a eucaristia assume ainda mais fortemente no período e a maneira como o jogo entre interesses políticos, debate teológico, conceito de comunidade e conflito se relacionam a processos concretos de transformação e instauração de comunidades. A análise será possível por meio dos tratados teológicos produzidos no período, de documentos conciliares e do mapeamento das redes epistolares dos principais agentes envolvidos.

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Felipe Mendes Erra

A circulação de trigo no Mediterrâneo

Eixo: Espaço e Comunidades

Resumo do projeto individual: Na década de 1440 Giovanni di Antonio da Uzzano, mercador florentino, ao escrever sua Pratica della Mercatura, indicou que uma salma de trigo da Apúlia era descarregada como 6 moggia em Chiarenza, na Grécia, e, em Arles (Provença), se tornava 4 sestieri; 100 salme da Sicília, ao aportar na Tunísia, recebia a denominação de 110 chassisi, e, caso fosse para Trípoli, também no Norte da África, era comprada como 80 chassisi de trigo. As indicações do mercador mapeiam conexões comerciais construídas durante a Conjuntura de 1300 e que se consolidaram durante as duas centúrias finais da Idade Média. As rotas do comércio nos permitem, porém, pensar em termos da formação de um mercado de cereais na escala do Mediterrâneo? A existência de múltiplos sistemas de medida sugere a inexistência de um sistema de preços unificado. Entretanto, as mudanças climáticas em curso, apontadas pelas pesquisas atuais, parecem ter acirrado a oscilação da produtividade das colheitas de cereais, registrada pela documentação. O fluxo irregular de safras escassas ou abundantes era percebido, pelos mercadores, como oportunidades de negócio. Assim, o mesmo Marino Sanuto relata como uma queda nas colheitas na Península Ibérica, já no começo do século XVI, causou uma repentina atração de embarcações carregadas de trigo produzido na Itália e no Mediterrâneo Oriental. Nossa pesquisa pretende ter como ponto de partida a grande exportação de cereais da Península Itálica Meridional, ocorrida durante os dois últimos séculos da Idade Média, para observar como conexões comerciais se formaram e se transformaram no espaço do Mediterrâneo, envolvendo participação de atores econômicos localizados em três continentes diferentes (Ásia, Europa e África). 

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Gabriel Rodrigues Sanches Cordeiro

Fome em tempos de peste: o Egito Romano diante da Peste Justiniana (séculos V-VII)

Eixo: Espaço e Comunidades

Resumo do projeto individual: O objetivo principal desta pesquisa é investigar as relações entre a alimentação e a propagação da peste no Egito sob domínio romano, entre os séculos VI e VII. Para isso, serão utilizados principalmente dados oriundos de sítios arqueológicos do Baixo Egito, em especial, na região de Alexandria, e, de forma complementar, relatos escritos a respeito da pandemia.   Também foram delimitados quatro objetivos secundários com o intuito de guiar o desenvolvimento da pesquisa até a realização do objetivo principal.   1) Em primeiro lugar, pretende-se discutir como se manifestava a relação entre a produção de alimentos, a fome e a peste a partir dos documentos e evidências arqueológicas levantados para a pesquisa e dos debates historiográficos acerca do tema. Buscaremos discutir em que medida a subnutrição era capaz de amplificar o impacto da peste.  2)  Em segundo lugar, serão examinadas as conexões estabelecidas nas obras de Procópio de Cesareia, João de Éfeso e Miguel, o Sírio, entre os episódios de fome e a Peste Justiniana   3) Em terceiro lugar, analisaremos a situação epidêmica por meio de evidências da Arqueologia Funerária, utilizando as informações contidas nas sepulturas para traçar um quadro mais abrangente do impacto da peste nas comunidades do Egito romano. Quando possível, a análise da paleogenética será incorporada para contribuir com informações sobre a disseminação da doença. 4) Finalmente, o projeto visa também analisar a situação alimentar dos sítios selecionados ao longo do período estudado, por meios dos vestígios arqueológicos, como restos alimentares, estruturas de armazenamento, grãos fossilizados, ossos animais, marcadores de estresse ósseo, etc.   Ao longo da pesquisa, para auxiliar na realização dos objetivos propostos, se-rão criados bancos de dados a partir das fontes escritas e do material arqueológico. Esses dados serão georreferenciados e organizados em um mapa interativo que será disponibilizado ao público mediante integração deste doutorado com o Projeto Universal “Epidemias, crises de mortalidade e álgebra de mapas no Mediterrâneo medieval”. O mapa será criado através do ArcGis e do MultiMapas, plataforma para produção de mapas e estatísticas georreferenciadas desenvolvida pelo Centro de Inteligência Artificial (C4AI).

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Isabela Alves Silva

As disputas sobre os bens das igrejas na Gália e na Hispânia bárbaras (séculos VI-VIII)

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: Nesta pesquisa, pretendo analisar a relação entre denúncias de tratamento indevido dos bens diocesanos e conflitos pelo patrimônio eclesial, com foco na Gália e na Hispânia, nos séculos VI-VIII. As dioceses gálicas e hispânicas se enriqueceram a partir do século VI. Segundo as leis régias, atas conciliares episcopais e as narrativas (como as histórias, hagiografias e crônicas) merovíngias e visigóticas, a finalidade do patrimônio eclesial era auxiliar os mais necessitados. As mesmas fontes apontam, contudo, para práticas consideradas indevidas sobre os bens, que poderiam envolver a sua destruição ou a sua circulação – casos em que o controle do patrimônio era perdido pelas comunidades diocesanas e tomado por outrem, como pelo roubo, pela pilhagem, pelo confisco ou pela venda dos bens eclesiais. Pretendo analisar a relação entre as denúncias presentes nas fontes e os conflitos sobre os bens diocesanos, os quais podiam ocorrer dentro de uma comunidade eclesial, entre dioceses ou entre comunidades eclesiais e agentes laicos. Estudarei as disputas a partir de uma articulação multiescalar da documentação, integrando a perspectiva local sobre as dioceses fornecida pelas narrativas com a perspectiva regional ou supra-regional das igrejas fornecida pelas atas conciliares e pelas leis régias. Viso estudar, por fim, como a frequência das denúncias de circulação indevida dos bens eclesiais se relacionou à eclosão de crises políticas, como as guerras civis merovíngias de 561-613 e o clímax do antagonismo entre o arianismo e o catolicismo na Hispânia entre 579-586. Analisarei, na Gália, 4 textos legais régios (507-614); 12 atas conciliares (511-627), a Glória dos Mártires (590) e as Histórias (594) de Gregório de Tours; o IV Livro da Crônica de “Fredegário” (década de 660); a Paixão de Leodegário de Autun (c. 690); a Vida de Audoeno de Rouen (c. 710) e o Livro da História dos Francos (727). Já na Hispânia, analisarei 11 atas conciliares (516-675); a História de Isidoro de Sevilha (c. 624); a Vida de Emiliano (c. 640) de Bráulio de Saragoça; o Livro dos Julgamentos (702); a História de Juliano de Toledo (675); a Vida de Frutuoso de Braga (fim do século VII) e As Vidas dos Pais de Mérida (680). A partir da análise das narrativas, que narram detalhadamente casos de conflitos pelos bens diocesanos, pretendo construir um banco de dados para mapear os circuitos de circulação dos bens eclesiais entre comunidades e agentes da Gália e da Hispânia. O banco de dados ajudará a alimentar a Plataforma Digital Analítica do Eixo Métodos Digitais do Projeto Temático.

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José Francisco Sanches Fonseca

Os monastérios e o cuidado dos vulneráveis no mundo franco (séculos VIII-X)

Eixo: Espaço e Comunidades

Resumo do projeto individual: O discurso de assistência aos vulneráveis foi um dos pilares do discurso monástico cristão, da disseminação das primeiras comunidades monásticas pela bacia do Mediterrâneo nos séculos IV e V ao surgimento das grandes abadias imperiais carolíngias no século IX. O objetivo desta pesquisa é compreender, através da análise comparativa de fontes textuais e arqueológicas, o papel desempenhado pelas comunidades monásticas do século IX no cuidado dos indivíduos em situação de vulnerabilidade. Em particular, buscarei analisar como o imperativo de auxílio aos famintos, enfermos, órfãos e viúvas moldou a organização espacial das comunidades monásticas e como tais comunidades se organizavam para o auxílio dos vulneráveis em períodos de crise. Para tal, farei uso de fontes escritas, como o Capitulare Monasticum, a Regula Benedicti e os Estatutos de Adalardo de Corbie, e fontes arqueológicas, como os relatórios de escavação provenientes das abadias de Hamage e San Vincenzo al Volturno, bem como outras fontes de apoio. Por fim, pretendo construir um mapa interativo contendo a localização das abadias trabalhadas e suas respectivas informações, bem como a localização e informações relativas às crises famélicas que acometeram o Império Carolíngio no período do recorte da pesquisa. Tendo em vista seu objeto de pesquisa, ela participará das atividades do núcleo Espaço e Comunidades, incluindo reuniões de trabalho, colóquios e publicações, além das atividades conjuntas do Projeto Temático.

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Marcelo de Souza e Silva

As noções de coisa pública e a sua circulação nos espaços da Ecclesia cluniacensis: políticas em torno do abaciado de Odilon de Cluny
(998-1054)

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: Visando a responder a questões quanto ao desenvolvimento e assimilação de noções de coisa pública, bem como sua circulação no mundo latino através do movimento monástico cluniacense, de 998 a 1054, período de estabelecimento da Ecclesia cluniacensis, este projeto anseia por investigar as interações dos poderes régio, papal, senhorial com as propostas do monaquismo, chefiado pelo abade Odilon de Cluny, de 994 a 1049, num contexto em que o termo coisa pública, com noções que o circundam, desponta em diversos documentos. Tais noções eram partilhadas não apenas pelos monges, mas por aqueles meios em constante relação com o monacato. A compreensão do significado desse termo, da sua dinâmica e aplicação nesse período, é necessária para esclarecer o entendimento que se tinha, então, sobre o que era a coisa pública, mas também alguns pontos do movimento dito reformador, que se destaca na segunda metade do século XI e primeiro quartel do século XII. Uma das hipóteses iniciais, com as quais este projeto lida, propõe que a espiritualidade emanada de Cluny, elaborada dentro de uma convergência de fatores no mundo latino-carolíngio, ao lado de sua teologia política, tenham contribuído para incrementar as noções de coisa pública, ao mesmo tempo que preparado o terreno para que elas se firmassem nas esferas cívica e religiosa. Assim, relacionada à Ecclesia, aos reinos e ao império, a coisa pública é um elemento político e metapolítico eloquente entre as representações daquela sociedade, e que circulou por diferentes meios nesse espaço do mundo latino. O movimento monástico cluniacense, seja no século X ou no XI, não é uma ação reacionária ou de restauração de uma ordem anteriormente vigente, mas de vanguarda e em constante diálogo com as transformações e dinâmicas constatadas nos períodos que ele permeia, de onde decorreu sua capacidade de contribuir eficazmente para a construção da conjuntura política de então.

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Mariana Pincinato Quadros de Souza

Sobre circulação de modelos na Antiguidade Tardia: um estudo dos mosaicos nas sociedades mediterrâneas entre os séculos IV e V

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: Com o presente projeto, pretendemos desenvolver um estudo sobre mosaicos produzidos em diferentes sociedades mediterrâneas, entre os séculos IV e V, período em que a produção musiva se torna uma das principais formas de ornamentação, tanto no mundo ocidental quanto no mundo bizantino. Abrangendo tanto os mosaicos parietais quanto de pavimentos, estudaremos alguns exemplares em torno no Mediterrâneo, como os recém-descobertos mosaicos da antiga cidade de Hippos, em Israel, o sítio arqueológico de Volubilis, no Marrocos, os mosaicos do Grande Palácio de Constantinopla, em Istambul, e os mosaicos italianos de Gala Palicidia, em Ravena, e de Santa Costanza, em Roma. Levando em conta tanto a dimensão iconográfica quanto material das obras, procuramos compreender como se dava a circulação de modelos e técnicas de produção dos mosaicos entre essas sociedades. Para além de tradicionais metodologias comparativistas, trabalharemos a partir da metodologia da história conectada, entendendo esses objetos – os mosaicos – não só como agentes no interior das sociedades que os produziram, mas também como atores de um papel fundamental para a compreensão das conexões entre tais sociedades.

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Marina Duarte Sanchez

Gestão de alimentos no Centro-Norte da Itália lombarda (séculos VI-VIII)

Eixo: Espaço e Comunidades

Resumo do projeto individual: O objetivo deste projeto é analisar a gestão da produção alimentícia nas regiões centrais e setentrionais da Península Itálica sob a administração do Reino Lombardo. O estudo será feito a partir da análise das estruturas de armazenamento, cujo uso primário foi a estocagem da produção cerealífera, e dos diplomas reais e das cartas (chartae) privadas, que majoritariamente documentam as transações de propriedades entre indivíduos de diferentes esferas de atuação. O código de leis (Edictus ceteraeque langobardorum leges, MGH) também será utilizado, pois prescreveu o uso e os procedimentos de produção e de validação das cartas entre os séculos VII e VIII. Minha expectativa é identificar possíveis tendências relativas aos sistemas de estocagem frente às diferentes dinâmicas históricas do período. O recorte temporal engloba temáticas que ganharam muito destaque na historiografia das sociedades mediterrânicas altomedievais, notadamente a expansão do Yersinia pestis e o impacto das flutuações climáticas e dos fenômenos naturais (aqui entendidos como eventos de ordem geológica ou pluviométrica) nas comunidades humanas. Atualmente, a relação entre clima e epidemias é altamente discutida; no caso da Itália, soma-se ao debate os possíveis papéis dos conflitos militares e dos episódios de carestia registrados nas fontes escritas. Por exemplo, entre o estabelecimento dos lombardos até a dominação carolíngia, 21 menções à fome e a surtos epidêmicos foram encontradas, das quais, ao menos, nove se referem às regiões setentrionais. Desse modo, a pesquisa apresentará um grande diálogo com estudos focados em outras regiões do Mediterrâneo, cujas sociedades foram impactadas e/ou transformadas por situações desestabilizadoras. As estruturas de armazenamento serão analisadas a partir do material disponível nas soprintendenze regionais (Friuli-Venezia-Giulia; Trentino-Alto Adige; Lombardia; Valle d’Aosta; Piemonte; Liguria; Emilia-Romagna; Veneto; Toscana), a partir do qual será feita uma tipocronologia relativa. As cartas serão estudadas através do Codice diplomatico longobardo, editado por Luigi Schiaparelli. As estruturas e as transações de propriedade serão geolocalizadas no Mapa Interativo, elaborado pelo eixo Métodos Digitais deste Projeto Temático, que auxiliará na visualização de possíveis tendências e correlações. Os dados produzidos a partir das fontes históricas e arqueológicas serão disponibilizados em um banco de dados digital, em fichas padronizadas pelo Projeto Coletivo EPIFAME.

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Paulo Christian Martins Marques da Cruz

As circulações de um ideário bélico entre a Inglaterra e a Sicília normanda: uma cultura visual compartilhada a partir da Tapeçaria de Bayeux e dos capitéis do claustro de Monreale (séculos XI e XII)

Eixo: Espaço e Circulação

Resumo do projeto individual: O presente projeto de pesquisa visa identificar e discutir a circulação de uma cultura visual ligada à gens normannorum a partir de certos objetos artísticos confeccionados em Inglaterra e na chamada Sicília normanda, entre os séculos XI e XII. Ao lançarem-se em projetos de agressão e conquista militar frente a populações outras, existentes no contexto da Europa do Norte ou na Bacia do Mediterrâneo, as sociedades normandas tensionaram-se entre uma constante necessidade de manutenção identitária e a constituição de espaços transculturais. Nesse sentido, ao tomarmos a Tapeçaria de Bayeux (c. 1077), que celebra da vitória de Guilherme, o Conquistador, na Batalha de Hastings, bem como o claustro românico de Monreale (c. 1174-1189), construído a mando de Guilherme II da Sicília (1166 -1189), nos propomos a pensar, a partir de uma História Conectada, a circulação de temas ligados à marcialidade por uma espacialidade mais ampla, de modo a propor um diálogo entre o mundo anglo-normando e às sociedades mediterrânicas a partir do prisma de uma cultura visual compartilhada. Com isso, objetivamos inserir nossa pesquisa no interior daquilo que vem sendo pensado em termos de uma História Global. Essa abordagem, de semântica ainda multifacetada, nos permitiria vislumbrar, por intermédio de sucessivos intercruzamentos entre esses diferentes espaços de produção artística, não apenas as condições materiais disponíveis, mas igualmente as respectivas dinâmicas de metamorfose no que se refere aos usos e significados desse mesmo ideário para os poderes régios na Inglaterra e na Sicília do período. 

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Sara Oderdenge

[Em Construção]

Eixo: Espaço e Comunidades

Resumo do projeto individual: [Em Construção]

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