(2018-…): “Vulnerabilidades de jovens às IST/HIV e à violência entre parceiros: avaliação de intervenções psicossociais baseadas nos direitos humanos”.
Coordenação: Vera Paiva (IP-USP), José Ricardo CM Ayres (FM-USP), Ivan França Jr (FSP-USP), Marcos Garcia (UFSCar-Sorocaba). A equipe inclui 18 professores da USP, UNIFESP/Santos, UFSCar/Sorocaba e dezenas de bolsistas dessas universidades, da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado. Financiamento principal FAPESP #2017/25950-2, com apoio do CNPq, CAPES e universidades envolvidas.
Os adolescentes são afetados desproporcionalmente pelas epidemias de IST, HIV e sífilis no Brasil. Apesar disso, a educação sexual nas escolas, fundamental para conter e controlar o crescimento da epidemia brasileira de Aids desde os anos 1990, foi abandonada e interpelada fortemente por grupos conservadores. Garantir e sustentar a promoção da saúde sexual e reprodutiva dos jovens exige urgente inovação no contexto de retrocessos políticos crescentes. O objetivo deste projeto é testar metodologias que garantam a sustentabilidade e eficácia de programas sobre sexualidade e promoção da saúde integral junto a adolescentes e jovens, avaliando os processos por meio dos quais isso ocorre neste contexto. Inspirado nos princípios de ações em saúde baseada em direitos humanos, articula métodos mistos de pesquisa-intervenção (como etnografia, entrevistas, questionários, oficinas, rodas de conversa, “devolutivas”) em escolas de ensino médio e em unidades básicas de saúde que são referência em cada território escolar abordado. Encontros dialógicos estruturados com base na pedagogia crítica de inspiração freireana, nas abordagens construcionistas psicossociais que têm como foco os sujeitos com direitos em cenas e a hermenêutica diatópica informaram cada atividade de pesquisa e ação de prevenção.
O processo desta pesquisa-intervenção, cujo campo começa em 2019 em 8 territórios escolares e 3 cidades (Santos, Sorocaba e São Paulo), foi atravessado pela emergência da pandemia de Covid-19 e sustentada em território online nos meses mais agudos (2020-2021) do novo contexto sindêmico. Aproximadamente 3.500 alunos do ensino médio (16-17 anos em média) foram abordados desde o processo de consentimento informado, que envolveu os professores e pais. A participação permanente dos estudantes, dos profissionais da escola, da comunidade do entorno e dos profissionais da saúde é componente crucial da proposta de promoção da prevenção integral, buscando facilitar o acesso dos estudantes do ensino médio à contracepção (incluindo a contracepção de emergência), à prevenção de infecções virais com métodos de barreira (como camisinhas e máscaras), testes e vacinas disponíveis, tratamento e profilaxia pós-exposição (como a PEP para o HIV) e ao acolhimento a eventos de saúde mental.
A equipe de pesquisa interdisciplinar originada no NEPAIDS-USP conta com colaboradores internacionais na University of Southern Califórnia (USC) para análise e disseminação de seus resultados em artigos e congressos.
(2024-…): “Promoção da saúde na perspectiva dos jovens: prevenção e sexualidade em tempos de sindemia na cidade de São Paulo”
Coordenação: Profs. Vera Paiva (IP-USP), Luis G. Galeão-Silva (IP-USP) e Marcos Garcia (UFSCar-Sorocaba). A equipe conta com o Prof. Jan Billand (UFSCar-Sorocaba), Profa. Valéria N.Silva (UNIP), a pós-doutoranda Brisa Bejarano Campos (PST-IPUSP) e das pesquisadoras da USC, as Profas Sofia Gruskin e Laura Ferguson.
Estudo de métodos mistos com o objetivo de compreender a perspectiva de jovens de 16 a 24 anos moradores da cidade de São Paulo, investigando suas experiências com sexualidade, direitos, prazer e qualidade de vida. O desenho do estudo inclui duas fases: a 1ª, de desenho qualitativo, inclui pesquisa documental sobre leis, normas, programas e políticas públicas relevantes para a saúde e os direitos sexuais de jovens na cidade de São Paulo e grupos focais com jovens moradores da região de Heliópolis, Jardim Ângela e Campo Limpo, onde desenvolvemos o projeto temático apoiado pela FAPESP desde 2019, e universitários estudando na zona oeste da cidade.
Nos grupos focais abordamos suas concepções e experiências com prevenção e autocuidado de sua saúde sexual, com a proteção-violação, negligência-promoção de direitos sexuais, concepções sobre o prazer e como relacionam essas concepções e experiências com sua qualidade de vida.
Na 2ª fase com base em questionário, um survey com jovens moradores dessas regiões quantificará o que aprendemos na fase 1, identificando as determinações sociais (socioculturais e programáticos) e pessoais das suas experiências com a sexualidade, incluindo a prevenção de IST/Aids, gravidez e violência entre parceiros.
Os resultados serão analisados com base no quadro teórico da vulnerabilidade e dos direitos humanos articulado à “abordagem triangular” concebida pelo Global Advisory Board for Sexual Health and Wellbeing (GAB), que considera a saúde sexual, o prazer sexual e os direitos sexuais como interdependentes e com importante contribuição para a qualidade de vida.
(2024-…): “Embaixadoras/es/is da prevenção: análise do processo e do efeito da formação de estudantes da USP como multiplicadores no campo da promoção da saúde e direitos sexuais”
Coordenação: Prof. Luis G,Galeão-Silva (IP-USP), Profa Valéria Silva (UNIP), Vera Paiva (IP-USP), pós doutorande Marisa Dantas do Rego Barros (PST-IPUSP) e o doutorando Diego da Silva Plácido (Programa de Psicologia Social/IP-USP), com apoio da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP).
Esta pesquisa-ação tem como objetivo observar e analisar o efeito da formação de jovens universitários como “embaixadoras/es/is” da prevenção. Estudantes da USP (17 estudantes em 2024 e 9 em 2025) foram selecionados como agentes-jovens para disseminar informações para seus pares sobre seus direitos sexuais e reprodutivos e sobre seu direito à não-discriminação com base na sua identidade de gênero, orientação sexual, cor da pele e religiosidade, como agentes da educação para a promoção da saúde sexual e prevenção de IST/Aids, gravidez inesperada, violência entre parceiros. A proposta iniciou com o convite a alunos de graduação de várias unidades para participar de capacitação e, então, seleção como bolsistas do projeto na Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP).
Sob supervisão da equipe, as/es/is embaixadoras/os/is desenharão iniciativas de prevenção junto a seus pares estudantes universitários no formato de intervenções culturais. Produziram e produzirão iniciativas presenciais no campus em datas significativas – como a calourada e o dezembro vermelho com o festival “Fazendo Arte com Prevenção”. Ao longo de todo o projeto investirão na produção e disseminação de vídeos em plataforma de redes sociais digitais:
TikTok: @direitossexuaisusp
Instagram: @direitossexuaisusp
O processo da produção e disseminação desse material é acompanhado por rodas de conversa para supervisão e avaliação de processo.
