Leticia Artiles Visbal
IDEOLOGIA DE GÊNERO
A ideologia de gênero responde a uma estratégia ou campanha desenvolvida por grupos e instituições conservadoras para desqualificar as posições dos movimentos feministas. Esses grupos se baseiam em informações imprecisas e falsas para gerar confusão e medo sobre o posicionamento da teoria e prática feminista. O feminismo não é o inimigo; ele se sustenta na luta pelos direitos das mulheres, compreendendo as desigualdades entre os sexos determinadas por relações de poder estabelecidas pela cultura da sociedade patriarcal, que mantém as mulheres em condição de opressão. A luta feminista inclui também a defesa das pessoas gays, lésbicas, bissexuais, transgênero e todas as expressões da diversidade sexual em um marco de direitos humanos.
Os grupos que defendem a ideologia de gênero não possuem fundamento. Negam a realidade biológica do ser humano, alegando que o feminismo doutrina para promover em crianças a homossexualidade, a bissexualidade ou a transgeneridade, ignorando que orientação sexual e identidade de gênero são inerentes ao ser humano. Atentam contra o reconhecimento dos direitos humanos das mulheres e meninas, negando o direito à educação sexual como forma de prevenir gravidezes precoces, geralmente decorrentes de violência sexual, comprometendo a vida biológica e social das vítimas. Esses grupos também se opõem ao aborto, ignorando o direito das mulheres de decidir sobre seu corpo e os altos índices de mortalidade por abortos inseguros.
Movimentos feministas lutam para exigir que os Estados respeitem, protejam e garantam o direito humano à saúde, prevenindo mortes evitáveis e injustas, violadoras dos direitos humanos das mulheres. Esses movimentos não combatem a vida, mas sim a discriminação e a violência baseada em gênero, defendendo a autonomia da orientação sexual e identidade de gênero.
Correntes fundamentalistas religiosas incorporaram a ideologia de gênero ao seu discurso, utilizando textos bíblicos como suposta prova de verdade. Esse discurso posiciona a mulher em relações desiguais com o homem, limita o corpo feminino à reprodução, nega a educação sexual integral, o direito de decidir sobre o próprio corpo e o reconhecimento da diversidade sexual, manifestando estigma, discriminação e violação de direitos. A ideologia de gênero, portanto, expressa rejeição a qualquer comportamento fora das normas estabelecidas, configurando formas de violência baseada em gênero e abuso de poder por quem detém o “discurso sagrado”.
Autor: L. Artiles Visbal