O que é Desenho Técnico?
Desenho técnico é um tipo de linguagem gráfica que possui como finalidade representar formas, dimensões e posições de objetos de forma regulamentada na indústria. Há um conjunto de regras internacionais que constituem as normais gerais do desenho técnico, que no Brasil é feita pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Portanto, o desenho técnico supre diferentes necessidades de diversas áreas – desde o design até a engenharia. As normas originam-se da Geometria descritiva, ou seja, uma ciência que pretende representar, no plano, objetos tridimensionais – através de linhas, números, indicações escritas e símbolos que são reconhecidos internacionalmente.
Assim, trata-se de um desenho operativo, pois pelas normas reconhecidas é possível dar seguimento a fabricações ou montagens, sendo essencial para tais processos. E, como um tipo de linguagem, é necessária uma alfabetização de suas regras, e esta página do site tem como objetivo reunir algumas das principais normas para auxiliar durante o processo de confecção dos desenhos técnicos.
Pranchas de Desenho Técnico
Como uma linguagem gráfica, o desenho técnico possui um conjunto de regras a serem seguidas que possibilitam a interpretação por qualquer um que as tenham aprendido. Essas regras são regulamentadas, no Brasil, pela ABNT, em diálogo com técnicas seguidas e respeitadas internacionalmente.
Sendo assim, é necessário primeiro conhecer como é disposta uma prancha de desenho técnico, para depois aprofundar em regulamentações especificas de cada parte:
Entre as normas da ABNT, uma a qual os estudantes devem se atentar é quanto às dimensões da folha, sua margem e legenda. Há inúmeras tabelas, com diferentes formatos de folha, porém focaremos no mais utilizado, a série A:
Malhas e Marcas de Corte
As pranchas devem ser divididas em malhas nas suas margens para facilitar a localização de informações nas folhas. Essas divisões devem possuir 5mm de largura e 50mm de comprimento.
A depender da folha, haverá um número de divisões:
Para auxiliar na identificação das malhas, seus campos individuais devem ser referenciados de cima pra baixo com letras, e da esquerda para a direita com números.
Caso o número de divisões exceda o número de letras do alfabeto, é necessário adotar a seguinte forma: AA, AB, AC
*No formato A4 a identificação é feita apenas no lado superior e no direito.
As folhas devem possuir marcas de corte, nas extremidades das folhas. Elas possuem formato de dois retângulos sobrepostos, com 10mmx5mm
Legenda
A legenda deve ser posicionada no canto inferior direito do quadro, horizontalmente, possuindo 180mm de comprimento e uma altura variável
Deve constar na legenda:
- proprietário legal e/ou empresa (nome, marca fantasia ou logotipo)
- título;
- número de identificação;
- tipo de documento;
- responsável(eis) pelo conteúdo;
- autor e aprovador;
- projetista, desenhista e verificador;
- data da emissão;
- escala;
- número ou indicação sequencial da folha;
- nome do responsável técnico, título profissional e registro no órgão de classe, quando aplicável.
Entretanto, para uso em aulas, é sugerida que se use a seguinte legenda:
Projeção Ortogonal
No desenho técnico, os objetos são representados a partir da sua projeção sobre um plano. Entre as formas de projeções mais simples e mais utilizadas para representação nas pranchas há a projeção ortogonal.
A projeção ortogonal é o tipo de projeção na qual forma-se um ângulo reto entre os raios e o plano, mantendo a forma e as proporções do objeto projetado.
Como a projeção ortogonal corresponde apenas a um “lado” do objeto, podem haver arestas ocultas do lado oposto de onde os raios vem. Sendo assim, para representar as arestas ocultas, há a representação por linhas tracejadas
Porém, como a representação de apenas uma vista desse objeto é incapaz de corresponder a sua tridimensionalidade, várias vistas são projetadas para haver melhor compreensão de sua forma.
Os conjuntos de vistas são organizados em uma disposição nomeada de “diedro”, que possui quatro variações, entre os quais a mais usada no Brasil é o primeiro diedro.
Diedros
Diedros são uma junção de dois planos que pode ser utilizado para organizar as projeções ortogonais sistematicamente. Há dois diedros principais que são utilizados, porém no Brasil o mais utilizado é o primeiro diedro, e ambos se baseiam a partir da vista frontal, que é a vista mais informativa do objeto.
Primeiro Diedro
O primeiro diedro possui um plano principal, e os demais se dão em disposição a ele, com uma espécie de “tombamento do objeto”.
- a vista frontal fica no centro
- a vista superior abaixo
- a vista inferior fica acima;
- a vista lateral esquerda fica à direita;
- a vista lateral direita fica à esquerda;
- a vista posterior fica à esquerda ou à direita, conforme conveniência.
Terceiro Diedro
- a vista frontal fica no centro
- a vista superior fica acima
- a vista inferior fica abaixo;
- a vista lateral esquerda fica à esquerda;
- a vista lateral direita fica à direita;
- a vista posterior fica à esquerda ou à direita, conforme conveniência.
Axonometria
A perspectiva axonométrica é uma projeção cilindrica ortogonal, na qual é como se o observador partisse do infinito, sendo possível visualizar três planos simultaneamente. Há diversos tipos de perspectivas axonométricas, mas apenas alguns são indicados para o desenho técnico:
- Isométrica
- Cavaleira
- Dimétrica
Axonometria Isométrica
É uma axonometria na qual os planos de projeção formam três ângulos, sendo eles perpendiculares à diagonal de um cubo, e as arestas paralelas são os eixos principais. Mantém-se as proporções e tamanhos 1:1:1, com um mesmo ângulo dos eixos entre o central, sem que haja distorção da forma.
Axonometria Dimétrica
A axonometria dimétrica é uma perspectiva semelhante a isométrica, porém escolhe-se diferentes ângulos, distintos entre si, de modo a dar foco em um dos e o terceiro eixo é distorcido para metade do tamanho original. A proporção das três escalas é 1/2 : 1 : 1.
Axonometria Cavaleira
É um tipo de axonometria obliqua na qual um dos eixos é horizontal, e possui um ângulo reto para com o outro eixo. Já o terceiro pode variar, distorcendo as proporções de acordo com o ângulo escolhido, mas aconselha-se que seja de 45° em relação aos demais eixos.
Cortes
Para que seja possível representar detalhes internos, podem ser realizados cortes na peça para novas maneiras de representação. Sendo assim, é criada uma nova vista ortogonal a partir do ponto escolhido na peça
É utilizada uma linha de traço longo e de ponto larga para indicar onde a peça será cortada – sua linha de corte – identificada por setas perpendiculares a linha e letras, que nomeiam a vista
O corte pode ser colocado em qualquer local na prancha, indiferentemente da vista na qual ele foi apontado
Hachuras
As hachuras são utilizadas para indicar áreas maciças nas áreas de corte. Elas são formadas a partir de linhas finas, anguladas em 45° em relação as eixos de simetria, e equidistantes entre si
As distâncias das hachuras são proporcionais ao tamanho da peça. Caso alguma cota ou inscrição dever ser colocada dentro de uma área de hachura, é necessário que se interrompa as hachuras para permitir a leitura
Às vezes, hachuras podem ser convencionalmente utilizadas para representar materiais
Elementos como: pinos, eixos, parafusos, dentes de engrenagem, porcas chavetas, rebites e nervuras, quando sua extensão estiver no plano de corte, não serão cortados, portanto, não serão hachurados
Escala
Haja vista que o desenho técnico pode representar desde as menores até maiores peças, ele nem sempre estará representado como verdadeira grandeza. Sendo assim, para evitar distorções e manter a proporção entre as dimensões de peça, é dito que todas as dimensões devem seguir uma mesma razão para redimensioná-las. Sendo assim, há uma razão entre as dimensões reais e as dimensões representadas no desenho, a sua escala.
Dimensão do desenho : Dimensão real do objeto
1 : 1 para desenhos em tamanho natural – Escala Natural
1 : n > 1 para desenhos reduzidos – Escala de Redução
n > 1 : 1 para desenhos ampliados – Escala de Ampliação
A indicação dessa razão é feita na legenda da prancha. Se houver na folha algum desenho com uma escala diferente da indicada na legenda, deve ser indicado abaixo do desenho a escala.
Cotas
O desenho técnico deve conter as dimensões do objeto representado: tamanho ou posição dos diâmetros, comprimentos, ângulos entre outros detalhes.
As cotas são representadas, sempre que possível, externas ao objeto, e devem ser posicionadas na vista que ficar mais clara a que parte se refere, mantendo sempre a mesma unidade de medida, sem indicação desta – apenas na legenda.
Elas são formadas por um conjunto de fatores, sempre em uma espessura inferior à do desenho para que não se confunda. A linha de cota não deve ser interrompida, mesmo que o elemento o seja.
Dimensões retas
De início, há uma linha de chamada, fina e contínua, que delimita o espaço que está sendo cotado, não encostando na linha do objeto representado. É ideal que elas estejam sempre perpendiculares ao ponto que delimitam, e paralelas entre si. Há, entre as linhas de chamada, a linha de cota – uma seta na qual deverá ser colocado o valor daquela medida – a cota. Caso o espaço seja pequeno, é possível ainda utilizar as setas de cota de maneira externa para indicar a delimitação das linhas de chamada.
Caso a cota represente algo dentro da peça, para indicar que se refere a aquele fragmento, ultrapassa-se os limites externos utilizando uma linha tracejada.
As setas podem ser dos seguintes tipos (sendo que todas as setas do desenho deve ser do mesmo tipo):
1) fechada e preenchida, de 30°
2) fechada e não preenchida, de 30°
3) aberta, de 30°
4) aberta, de 90°
Dimensões Angulares
As dimensões angulares devem seguir a seguinte orientação para que seja possível uma fácil leitura:
Raios e Diametros
Na cotagem de raios, é utilizada uma seta que aponta para a curva respectiva a qual deve indicar-se o raio, com um R antecedendo o valor, podendo estar por dentro ou por fora da linha, a depender de onde esteja posicionada.
Já o diâmetro deve ser indicado quando o arco for superior à 180°. O símbolo gráfico Ø indica que se trata da seção transversal de algum elemento que vem de um círculo, sendo indicado por uma seta com uma linha que deve ultrapassar o centro, além das linhas de chamada para o diâmetro.
Cordas, Arcos e Ângulos
As cordas devem ser representadas com uma linha de cota reta, perpendicular às linhas de chamada. Arcos devem possuir o símbolo de um arco ⌒ antes de sua dimensão, sendo representado com uma linha de cota curva, mas com linhas de chamadas paralelas entre si. Já ângulos devem possuir uma linha de chamada que siga o limite do ângulo a ser apresentado, também com uma linha de cota curva e com o símbolo de ° (graus) ou “ (minutos e segundos).
Elementos igualmente espaçados e repetidos
Caso os elementos possuam o mesmo espaçamento e estiverem dispostos de maneira uniforme, é possível simplificar a cotagem utilizando de linhas de apoio entre os elementos.
Deve-se indicar o número de espaços e seu tamanho, com o símbolo “×” entre eles. A soma desses espaçamentos pode ser uma dimensão auxiliar, com uma soma dada entre parenteses com o símbolo de igual (=).
Caso os elementos igualmente espaçados estejam em um círculo, podem ser cotados indicando o número de elementos e as dimensões, com o “x” entre eles, ou se espaçamento angular for evidente na representação pode ser omitido na representação.
Caso seja claro, todos os elementos com mesma dimensão podem ser apontados com linhas de apoio e o número de elementos, “×” e o valor das dimensões.
Peças e Vistas Simétricas
Dimensões de elementos que sejam simetricamente distribuídos devem ser apontadas apenas uma vez. Sendo assim, deve-se representar o número de vezes que essa dimensão se repete, o símbolo “×” e a indicação da dimensão. Deve-se indicar o eixo de simetria com seu respectivo símbolo.
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design - FAU USP
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