Ansiedade e contemplação: o que podemos aprender sobre nós (vida pessoal e carreira) na COVID-19? – Webinar

A live, que teve como tema “Ansiedade e contemplação: o que podemos aprender sobre nós (vida pessoal e carreira) na COVID-19?”, abordou formas de como reduzir a ansiedade, pessoal e profissional, perante o incerto, e ensinamentos da mitologia grega: metáforas para enfrentamento da crise e o processo de autocuidado e cuidado dos outros. A transmissão foi ministrada por Rafael Rodrigues, que é Psicólogo, pós-graduado em Psicologia Analítica é Analista Junguiano em formação pelo Inst. Junguiano de Ensino e Pesquisa, e pós em Adm. de Empresas pela EAESP/FGV.

 

Assista abaixo:

O trabalho remoto em 2020

Com o início da pandemia, a vida de muitos trabalhadores ao redor do mundo foi afetada. O home office – situação na qual o profissional cumpre suas tarefas a partir de seu próprio domicílio – não é uma prática que surgiu com a pandemia. Contudo, tendo em vista a crise sanitária da covid-19, trabalhar em casa foi uma das poucas alternativas para as empresas manterem o trabalho de seus funcionários sem expô-los a grandes aglomerações – seja no transporte público, seja no próprio ambiente de trabalho -, diminuindo, dessa forma, o risco de contágio.

No entanto, apesar de seus vários prós, o home office não é exatamente uma prática inofensiva: é associado, muitas vezes, ao esgotamento físico e mental. Em um cenário onde muitas pessoas estão em quarentena sozinhos ou com sua família, para muitas delas o teletrabalho não significou redução do volume de trabalho, pelo contrário. São vários os relatos denunciando que a carga diária, desde o começo da pandemia, aumentou – principalmente a das mulheres, que, ao contrário dos homens, sofrem a pressão para cumprir também as funções domésticas. Para muitas pessoas, a jornada começa antes do horário comercial e termina depois – em muitos casos, até o intervalo do almoço é afetado. Isso gera ansiedade e estresse em vários profissionais, que se veem cada vez mais atarefados pelas responsabilidades do trabalho a distância, enquanto fora de suas casas e apartamentos se desenrola a maior crise sanitária deste século.

Nesse sentido, é importante ressaltar o papel das empresas na manutenção do bem-estar de seus funcionários. Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, acredita que é importante que a companhia deixe claro que, apesar de a situação não ser a mesma, as tarefas continuam, e que são tempos que exigem mais empatia. É necessário também que exista um canal para que os trabalhadores possam encaminhar suas demandas, pois deve-se evitar que o teletrabalho seja uma via de mão única. Ainda na opinião da docente, o home office deve continuar sendo a realidade de muitas pessoas mesmo com o fim da crise sanitária. Segundo ela, apesar da adoção abrupta do trabalho remoto, muitos trabalhadores já se adaptaram a esse novo estilo de vida e devem continuar nesse modelo.

Por Lucas Oliveira Ribeiro e Ricardo da Silva Domingos.

Fonte: https://folha.com/zmphi87b

Especialistas apontam a preponderância das vivências pessoais no futuro do trabalho

Se antes as pessoas se preocupavam em qual profissão seguir na vida adulta, nos dias atuais essa prática entrou em desuso tendo em vista que o termo carreira ganha cada vez mais espaço na discussão sobre mercado de trabalho. Em sua pesquisa, Michael Bernard Arthur, autor do conceito de carreiras inteligentes, explica que elas são baseadas em três pilares: knowing why (valores individuais), knowing how (competências e habilidades) e knowing whom (rede de apoio). De acordo com o professor, tais conhecimentos são essenciais para o êxito profissional, pois se trata de ativos que contribuem para acumulação de capital na carreira.

Tania Casado, docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP esclarece que as carreiras inteligentes estão inseridas em um contexto de intersecção entre saberes. Nesse sentido, Fernando Mantovani, diretor geral da empresa Robert Half, enxerga duas tendências para o mercado de trabalho no futuro: a presença de tecnologia em todas as grandes áreas de atuação bem como a indispensabilidade de inteligência socioemocional no cotidiano das corporações. Entretanto, as diferenças geracionais já estão explicitando essas necessidades no mundo laboral e caso esse dilema não seja superado em breve haverá uma crise maior na comunicação entre pessoas e companhias, realidade que temos de lidar nos próximos anos. 

Por Letícia de Oliveira Ramos, Lucas Oliveira Ribeiro e Ricardo da Silva Domingos

Fonte: https://digital.estadao.com.br/@Reader16113987/csb_V42vv29a7qfWd1Cl-E3M4SAj67ypVDakUgy1WcxP6v3ELVcES_3T3NzHVCsf6mYm

A influência da família nas trajetórias de carreira

Há, de fato, um dilema entre escolhas pessoais de carreira e a pressão da família em seguir uma determinada tradição profissional. Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da instituição diz que mães e pais não podem exigir que suas filhas e seus filhos sigam a mesma trajetória que a família, pois as carreiras não são mais as mesmas nos dias atuais. Além disso, aconselha que as mães e os pais podem ajudar as filhas e os filhos na descoberta de potenciais, como destacar em qual disciplina ou área na escola ela ou ele tem melhor desempenho.  

A docente propõe começar a construção da rede de relacionamento profissional já na faculdade. Por isso, recomenda fazer estágios durante a graduação (de preferência em organizações de diferentes culturas), participar de extensão universitária, colaborar em centros acadêmicos, atuar em voluntariado de entidades estudantis ou sociais, dentre outras atividades complementares. Ademais, explica que uma atividade simples de autoconhecimento pode ser feita por estudantes: pedir para familiares, amigas/os, professoras/es e outras pessoas de confiança para preencherem uma folha escrevendo o que você precisa deixar de lado, aquilo que deve continuar realizando e coisas que podem começar a serem feitas. 

Ricardo Basaglia, diretor-geral da Michael Page, afirma que em situações nas quais a/o estudante precisa trabalhar não por experiência, mas sim por necessidade econômica, é preciso tentar mostrar para a empresa que você pode agregar de outra forma no cotidiano da firma, indo além das suas tarefas usuais. Aqui, o comportamento é valorizado, uma vez que, segundo ele, as/os profissionais são contratadas/os pela competência técnica, porém demitidas/os pelas atitudes.

Ressalta, também, que apesar do impacto da economia sobre a geração de empregos, é importante ter em mente que o mercado está em constante evolução e muitas posições serão afetadas pelo impacto da tecnologia. Dessa forma, é fundamental que as pessoas também se adaptem às transformações, acompanhando o ritmo das empresas. Isso fica mais claro ainda em contextos de crise, dado que as vagas que são perdidas não retornam sob a mesma configuração, pois as corporações se tornam mais eficientes e passam a demandar outras habilidades. Para conseguir emprego nesse cenário, assinala a importância de se investir tempo buscando conhecer melhor a organização almejada, compreendendo quais serão os desafios e os perfis privilegiados por ela. 

Por Lucas Oliveira Ribeiro e Ricardo da Silva Domingos

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=8tLUNmGdb3w