Histórico

4 de fevereiro de 2021

Histórico e contextualização

O Programa de Pós-Graduação (PPG) em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular (OCCTTC) da FMRP-USP foi aprovado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP aos 29 de julho de 2011, avaliado pela Comissão de Avaliação da Medicina I da CAPES aos 4 de outubro de 2011, e iniciado seu funcionamento em julho de 2012. 

O Programa é totalmente alinhado à Política Nacional de CT&I e tem como missão: integrar, modernizar, criar ambiente favorável à inovação, disseminar conhecimentos e formar pessoal de alto nível na sua área estratégica de interesse à ciência mundial com vistas a desenvolver novas perspectivas para a melhoria da atenção à saúde. 

Trata-se de um PPG interdisciplinar, com articulação entre pesquisa básica, translacional e clínica, reunindo docentes com comprovada liderança científica em áreas estratégicas como oncologia molecular, imunoterapia, terapias celulares, medicina personalizada e bioinformática aplicada à saúde. A atuação conjunta entre médicos, biólogos, farmacêuticos, biomédicos e pesquisadores de outras áreas confere ao programa uma identidade única, voltada para a formação crítica, inovadora e com forte inserção social.

O PPG em OCCTTC está vinculado ao Centro de Terapia Celular (CTC), um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) apoiados pelo CNPq, FAPESP e CAPES, e ao Hemocentro de Ribeirão Preto, integrando estrutura de pesquisa e assistência hospitalar com excelência. Esse ecossistema promove a rápida translação de descobertas laboratoriais para aplicações clínicas, com impacto direto na prática médica, especialmente no tratamento de neoplasias hematológicas, doenças autoimunes e aplicação de terapias celulares e terapias com células T modificadas (CAR-T).

Do ponto de vista da produção científica, o programa acumula expressiva quantidade de publicações em periódicos de alto impacto, forte colaboração internacional, captação contínua de financiamento competitivo (FAPESP, CNPq, CAPES, agências internacionais), além de prêmios e reconhecimento de seus docentes e discentes. A inserção dos egressos em instituições acadêmicas, hospitais de referência e centros de pesquisa dentro e fora do Brasil é outro indicador concreto da excelência formativa do programa.

Além disso, o PPG em OCCTTC apresenta comprometimento na condução de sua política de autoavaliação, com processos sistemáticos de monitoramento de desempenho, análise crítica de resultados e implementação de medidas corretivas e inovadoras. A internacionalização também é consolidada, com convênios acadêmicos, disciplinas ministradas em inglês, cotutelas e estágios no exterior, além da atração de discentes estrangeiros.

Espera-se que as informações evidenciem o conjunto de características do PPG e o crescimento do PPG ao longo dos anos, com produção científica consistente e de alto impacto, corpo docente qualificado e ativo, forte inserção social, estrutura institucional de ponta e uma visão estratégica voltada à inovação e à formação ética e crítica. Trata-se de um programa que não apenas forma pesquisadores de qualidade, mas que contribui diretamente para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do Brasil, com projeção internacional consolidada.

Os três pilares do saber do PPG são:

Oncologia

Nas últimas décadas, o câncer tornou-se um problema de saúde pública mundial, com crescente incidência devido ao envelhecimento e crescimento da população bem como às mudanças na prevalência de fatores de risco ligados ao desenvolvimento socioeconômico. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer lidera entre a primeira ou segunda causa de mortalidade da maioria dos Países. A agência Internacional de Pesquisa em Câncer estimou a ocorrência de 18.1 milhões de novos casos de câncer e 9.6 milhões de mortes por câncer no ano de 2018 em todo o globo, o que exemplifica o incremento observado em relação ao ano de 2012, quando foram diagnosticados 14,1 milhões de casos novos e morreram 8,2 milhões de pessoas em decorrência da doença. No Brasil, as neoplasias são a segunda causa de mortalidade. O Instituto Nacional de Câncer projetou para o biênio 2018-2019 a ocorrência de 600 mil casos novos de câncer, estando as neoplasias de próstata, mama feminina, colo uterino, pulmão e cólon e reto entre as mais incidentes, com taxas semelhantes às dos países em desenvolvimento. Diante dessa realidade, o Programa realizou esforço recente no ano de 2019 para ampliar a área de investigação em Oncologia Clínica, dentre outras, a inclusão de novo docente USP como orientador e pesquisador na área de investigação genômica e epidemiológica do câncer.

Células-tronco

A pesquisa em células-tronco está em andamento desde a estruturação do Programa e inclui estudos sobre mecanismos, marcadores biológicos e estratégias terapêuticas para neoplasias e falências da medula óssea, bem como investigação sobre a contribuição de células do microambiente e do sistema imune sobre a origem dessas doenças. Essa área de pesquisa se mantém forte no Programa como fonte de resultados com relevante impacto científico e continua em pleno desenvolvimento. 

Terapia Celular

A terapia celular, por definição mínima, compreende a utilização de células com objetivos terapêuticos. Estas células quando injetadas por via intravenosa no organismo exercem ações sistêmicas ou atingem órgãos e tecidos protegidos, tais como a medula óssea ou o sistema nervoso central. Quando usadas localmente ou injetadas diretamente nos tecidos ou órgãos comprometidos, podem promover algum efeito regenerativo ou protetor. Para fins da terapia celular, podem ser utilizadas células maduras do sangue periférico como acontece nas transfusões sanguíneas, ou ainda linfócitos geneticamente modificados (células CAR-T) para o tratamento de neoplasias e doenças imunes, como também podem ser utilizadas células-tronco ou células progenitoras com o objetivo de promover o reparo ou substituição de um tecido ou órgão lesado. Neste último caso, a equipe de pesquisadores envolvida no programa tem contribuição consolidada por décadas de transplantes inovadores de células-tronco hematopoiéticas derivadas da medula óssea, do sangue periférico ou do sangue do cordão umbilical para tratamento de leucemias, linfomas, doenças imunes e hemoglobinopatias. A terapia celular teve recente avanço no Programa com a implementação e otimização da pesquisa básica e clínica em células CAR-T no ano de 2019. Além do estabelecimento da técnica de expansão destes linfócitos geneticamente modificados em laboratório especializado e inclusão de pesquisador/docente da USP com experiência nesta área específica como orientador do Programa, os resultados obtidos neste último ano impulsionaram a realização dos ensaios clínicos com células CAR-T no ano de 2020, fazendo da nossa Instituição pioneira na América Latina para realização deste tipo de terapia celular.

A modalidade é oferecida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP em parceria com o Centro de Terapia Celular) e o Hemocentro de Ribeirão Preto.