Transformação Social face às Alterações Climáticas: Eixo Temático 9 do CLIMARES
O eixo temático 9, intitulado “Transformação Social face às Alterações Climáticas”, integra o Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP). Coordenado pelo professor Pedro Roberto Jacobi (IEE-USP), o eixo 9 parte de uma premissa central: adaptar-se ao clima exige mudanças profundas no modo como vivemos, nos deslocamos, consumimos e planejamos nossas cidades e territórios. Repensar padrões de mobilidade, hábitos de consumo e formas de ocupação do espaço urbano é parte indispensável de qualquer estratégia de adaptação climática que se pretenda duradoura.
Um dos conceitos-chave do eixo 9 é entender o território como uma estratégia de adaptabilidade. A pesquisa se organiza em torno da governança adaptativa em diferentes contextos territoriais: áreas urbanas e metropolitanas, macrometropolitanas, rurais, periurbanas e costeiras, utilizando uma abordagem integrada que conecta as diferentes dimensões das mudanças climáticas. O trabalho se desdobra em revisão sistemática da literatura, identificação de atores e estudos de caso em escalas local e regional, resultando na produção de publicações acadêmicas, conteúdos audiovisuais e subsídios para políticas públicas voltados às especificidades de cada território.
AvaJuça: Avaliação Econômica, Social e Ecológica do Programa de Conservação da Palmeira Juçara
O projeto de pesquisa AvaJuça: Avaliação Econômica, Social e Ecológica do Programa de Conservação da Palmeira Juçara no Vale do Ribeira (SP), financiado pela FAPESP, no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPP) é coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Sinisgalli, da EACH/USP. Essa pesquisa tem como objetivo avaliar o Pró-Juçara, programa criado pela Fundação Florestal em 2021 para fortalecer a conservação da palmeira juçara, uma espécie chave do bioma Mata Atlântica, hotspot mundial de biodiversidade, protegido pelas Unidades de Conservação geridas pelo estado de São Paulo.
A juçara é considerada espécie chave para a conservação da Mata Atlântica, pois representa um hub de interações, contribuindo para a manutenção da biodiversidade e a regeneração da floresta, atuando como agente facilitador na sua estruturação, conectividade e na oferta de serviços ecossistêmicos.
Ao mesmo tempo, a espécie foi fortemente ameaçada pela exploração predatória do palmito. Como alternativa, o uso sustentável dos frutos para produção de polpa vem se consolidando como uma possibilidade de unir conservação ambiental, geração de renda e valorização das comunidades locais.
Nesse contexto, o AvaJuça busca compreender os resultados do Pró-Juçara nas dimensões econômica, social e ecológica. O projeto avalia as ações de repovoamento da palmeira, a implementação do programa Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), bem como os processos de aprendizagem entre gestores, monitores, beneficiários e demais atores envolvidos.
A partir dessa análise integrada, a pesquisa demonstrar uma avaliação para o aprimoramento da política pública, fortalecendo sua sustentabilidade e sua capacidade de ser ampliada em outros territórios da Mata Atlântica.
SEGHID – Proposta de diretrizes e planos para a governança e segurança hídrica adaptativa: dimensões técnica, participativa e sustentabilidade, num contexto de mudanças climáticas, nas bacias hidrográficas do Alto Tietê e do Paraíba (2023-)
PROJETO FAPESP – FAPESQ – A presente proposta tem por base a contextualização das realidades hídricas de duas regiões, Médio Paraíba e Alto Tietê, situadas nos estados, respectivamente, da Paraíba e de São Paulo, cada vez mais afetadas pela escassez hídrica, com suas especificidades associadas à segurança hídrica. O projeto parte do pressuposto de uma governança adaptativa e da sustentabilidade para priorizar o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias sociais. Estas tecnologias promovem empoderamento e diálogo com diferentes segmentos da sociedade face às mudanças climáticas em contextos urbanos e periurbanos. Portanto, o projeto tem como objetivo central, de um lado, investigar e analisar práticas e planos, e, de outro, desenvolver e propor diretrizes e planos de ação de Segurança Hídrica adaptativa, que inclua as dimensões técnica, participativa e de sustentabilidade como pilares na formulação de uma dinâmica de governança hídrica, em contexto de mudanças climáticas, discutindo diretrizes para a atuação dos múltiplos atores nas bacias hidrográficas escolhidas nos estados envolvidos. A pesquisa será baseada em metodologias participativas centradas em pesquisa documental e bibliométrica, entrevistas semiestruturadas e abordagem de aprendizagem social, visando constituir uma rede de pesquisa em torno dessas duas regiões envolvidas, bem como um diálogo entre equipes e parceiros em torno das bacias hidrográficas que são vitais para o abastecimento público.
Abrigos climáticos no litoral de São Paulo
Tanto no Sul quanto no Norte globais, os impactos das mudanças climáticas podem ser sentidos com frequência e intensidade cada vez maiores. Em muitos lugares, o risco de desastres tornou-se uma condição crônica e contínua. Mais pesquisas são necessárias para tornar as cidades costeiras de crescimento particularmente rápido no Sul global mais resilientes às mudanças climáticas para reduzir o risco de deslocamento e migração. No Brasil, mais de um quarto da população vive em áreas litorâneas muitas em regiões vulneráveis e com moradias precárias, inclusive em locais com risco de deslizamentos e inundações. Para se adaptar melhor e resistir às emergências climáticas, esta proposta de pesquisa visa explorar, testar e moldar políticas locais participativas para a resiliência climática e o bem-estar da comunidade. Abordagens de pesquisa participativa permitem a cocriação de soluções adaptadas localmente com, para e pelas comunidades para melhorar sua resiliência de longo prazo. Nosso objetivo é explorar particularmente o conceito de ‘abrigos climáticos’ – como infraestrutura física e centros de bem-estar social – para aumentar a resiliência e o bem-estar de grupos vulneráveis, principalmente crianças, jovens e suas famílias em comunidades urbanas marginalizadas. O conceito de abrigos climáticos ainda não foi explorado no contexto brasileiro – lacuna que esta proposta busca preencher. O foco é a cidade litorânea de Santos, no estado de São Paulo, Brasil, que sofre de alta vulnerabilidade socioambiental como resultado do aumento do nível do mar, inundações e níveis de desigualdade e exclusão social. Ao mesmo tempo, o município de Santos demonstrou liderança no planejamento de adaptação climática local para desenvolver soluções inclusivas e de longo prazo, tornando-se um parceiro fundamental para este estudo piloto. A equipe de pesquisa no campo das ciências ambientais busca um diálogo interdisciplinar e internacional combinando abordagem intergeracional e experiências da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), junto a Universitat Autonoma de Barcelona (UAB), em colaboração com ONGs e formuladores de políticas locais. Reúne os principais conhecimentos das ciências ambientais, em diálogo com a sociologia e a gestão ambiental e costeira, políticas públicas, planejamento urbano e justiça climática. A proposta, portanto, estabelece a base para uma troca de conhecimento interdisciplinar inovadora e novas parcerias de pesquisa sobre adaptações justas a eventos climáticos extremos, pensamento de resiliência e práticas comunitárias transformadoras, vitais para o desenvolvimento de soluções de longo prazo por meio de um diálogo colaborativo Sul-Norte e com potencial de replicabilidade em outras regiões do país.
Plataforma de Indicadores e índices de Coleta Seletiva e de Organizações de Catadores de Materiais Recicláveis (PICS)
O Projeto Plataforma de Indicadores e índices de Coleta Seletiva e de Organizações de Catadores de Materiais Recicláveis (PICS) visa apoiar a implementação e o monitoramento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelecida pela Lei Federal no 12.305, de agosto de 2010, e contribuir para o fortalecimento da coleta seletiva no país, em especial, da praticada com inclusão socioprodutiva de catadores de materiais recicláveis. Neste sentido contribui com a promoção de melhorias socioeconômicas, ambientais e de saúde pública. A Plataforma (PICS), desenvolvida no IEE é um instrumento inovador dimensionado para o uso dos 5.570 municípios brasileiros e as mais de 1.200 organizações de catadores existentes. Os dados obtidos com o uso da Plataforma são importantes para os usuários e para a elaboração e aprimoramento das políticas de resíduos sólidos e ainda como subsídios para pesquisas e elaboração de artigos científicos focados na governança e gestão sustentável dos resíduos sólidos. Está disponível para uso gratuito de municípios e organizações de catadores em: www.iee.usp.br/pics. A ferramenta está composta por dois questionários um para os municípios e outro para as organizações de catadores que alimentam de forma automática o cálculo de indicadores e índices de sustentabilidade. A partir dos resultados dos indicadores é calculado um índice. A partir da inserção dos dados é possível fazer o download dos resultados, elaboração de gráficos e de séries históricas que subsidiam a elaboração de seus Planos de Ação.