
Realizado pelo RCGI-USP, evento reúne cientistas, líderes da indústria e representantes de governos, unindo stakeholders para discutir caminhos para uma transição energética justa e necessária.
Foi aberta nesta terça-feira, 4/11, a 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI), evento organizado pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI, da sigla em inglês) em parceria com o Centro de Inovação em Tecnologia Offshore (OTIC), ambos da Universidade de São Paulo (USP). Com o tema “Ações para o Futuro da Transição Energética”, o evento também integra a agenda Pré-COP 30 da USP e do programa “Summit Agenda SP Mais Verde” do governo estadual, posicionando a ciência como pilar para a ação climática e a formulação de políticas públicas. Reúne cientistas, líderes da indústria e representantes de governos, para discutir caminhos para uma transição energética justa e necessária.

“A transição energética e a luta contra as mudanças climáticas estão no centro das discussões globais. Além de ser uma preparação para a COP-30 que acontece esta semana em Belém, essa edição da ETRI é particularmente especial porque celebramos dez anos da criação do RCGI, um centro que nasceu com a missão de gerar ciência e inovação para enfrentar os desafios da descarbonização”, afirmou Júlio Romano Meneghini, diretor científico do RCGI.
De acordo com Karen Mascarenhas, chair da conferência e Diretora de Recursos Humanos e Comunicação Institucional do RCGI, a agenda da conferência abrange as áreas mais críticas para a transição energética como rotas de descarbonização para a indústria, transportes e o setor elétrico; tecnologias de hidrogênio e biocombustíveis; captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS); inteligência artificial aplicada à sustentabilidade e transição da indústria offshore.
Ela destacou que durante o Summit Agendas SP Mais Verde será assinado entre a empresa Equinor e o RCGI o projeto Carbon Storage in Brazilian Basalts, que investigará o potencial dos basaltos da formação da Serra Geral para armazenar o CO2 emitido por usinas de bioenergia, desenvolvendo bases técnicas e regulatórias para uma nova rota de BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage) no Brasil.
Durante todo o evento, os participantes poderão visitar o USP-RCGI Digital Lab, com experiências imersivas em realidade virtual, e conhecer o Observatório de Climatização (RCGI-OS), uma iniciativa pioneira para acelerar a transição energética por meio da inovação e regulação, que está sendo lançada no evento.
Gustavo Assi, diretor do OTIC, afirmou que a transição energética do Brasil passa, necessariamente, pela transformação de sua indústria offshore. “Com 95% do petróleo e gás do país vindo do mar, ignorar esse setor é impossível. A indústria enfrenta um “trilema”: a necessidade de produzir mais energia, com menor custo e com muito menos impacto ambiental”, afirmou.
Segundo Assi, essa transição é disruptiva na sua essência. “A solução, portanto, não é o desmantelamento, mas o nascimento de uma “nova indústria” offshore, que opere com novos processos, captura de carbono e novas fontes de energia”, completou Assi.

Carlos Gilberto Carlotti Jr, reitor da USP, enfatizou a estratégia de cocriação da universidade com a indústria e o governo: “Além de a Universidade fazer pesquisa, formar pessoas, nós temos que ter a sensibilidade de identificar alguns problemas da sociedade para poder resolvê-los. Portanto, os centros de pesquisa criados na USP, como o RCGI e o OTIC têm esse objetivo”, disse.
Também participaram da cerimônia de abertura da ETRI 2025: Stephanie Yukie Hayakawa da Costa, secretária-executiva da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo; Danilo Perecin, diretor de Energia da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo; Ricardo Trindade, coordenador-geral de Programas Estratégicos e Infraestruturas da Diretoria Científica da FAPESP; Ricardo Martins, chief administrative officer da Hyundai Motors América Central e do Sul e da Hyundai Motors Brasil Hyundai; Jonas Castro, head de Pesquisa e Desenvolvimento da Petronas do Brasil; e Samuel Cunha, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da TotalEnergies.