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Dois anos de desgoverno – a tragédia do capitalismo neoliberal

Por DENNIS DE OLIVEIRA

Professor no curso de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP,

no PPG em Mudança Social e Participação Política (ProMuSPP)

e no de Integração da América Latina (PROLAM)

A burocracia de estado assumiu papel importante como agente político da contrarrevolução e restauração conservadora

A eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República em 2018 foi o coroamento de um processo político que teve início em 2013, com a crise do governo Dilma Roussef ampliada pelas manifestações de rua inicialmente convocadas como protestos contra os aumentos de tarifas de ônibus e depois deslocadas para uma crítica a “política como um todo”.

O que se deve destacar neste processo é que ele foi um deslocamento do discurso conservador, que foi derrotado ideologicamente na polêmica do Programa Mais Médicos, isolou-se pontualmente durante a ascensão do projeto neodesenvolvimentista do governo Dilma em 2011 e 2012 que fracionou setores das classes dominantes possibilitando que a aliança policlassista liderada pelo PT trouxesse para sua base setores da grande burguesia interna e tudo isto garantia aprovações recordes na gestão petista.

O deslocamento do discurso se deu com a inserção da componente moral por meio da narrativa de que os problemas enfrentados pela sociedade (inclusive o que motivava a luta contra o aumento do preço dos transportes coletivos) era causado pela falta de ética na política, pela corrupção, etc. Haveria um mal inato no universo da política e era necessária uma “renovação”.

Esta narrativa casou diretamente com a Operação Lava-Jato, iniciada em 2014 e que aos poucos vai se transformando no tribunal da “revanche” contra a corrupção da política. Esta Operação centrou suas ações justamente no ataque ao coração do projeto neodesenvolvimentista dos governos petistas: a aliança do Estado, por meio de instrumentos como os bancos públicos de fomento e as empresas estatais, com setores da grande burguesia interna.[i] Há fortes evidências de que tal operação foi inspirada pelo imperialismo estadunidense em função da mudança do posicionamento do Brasil (e da América Latina) no cenário geopolítico mundial[ii]. De fato, a política externa brasileira, ainda que sem romper totalmente com os EUA, sinalizava para um multilateralismo, priorizava o diálogo Sul-Sul, em especial a integração latino-americana e caminhava para a construção de uma poderosa zona econômica com os BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), países com territórios e populações enormes.

O discurso moralista foi a forma de desqualificar e desmontar toda a base de apoio a este projeto (ainda que ele proporcionasse, no seu auge, a uma situação de quase pleno-emprego) atendendo, principalmente, aos interesses de setores do capital rentista transnacional desejosos de recolocar o Brasil na periferia da geopolítica.

Porém, tal discurso só foi efetivo por conta de um novo padrão de sociabilidade construído a partir dos atuais modelos de produção e reprodução do capital, também conhecidos como fase neoliberal do capitalismo. O que pretendo demonstrar neste ensaio é que o neoliberalismo constrói uma forma de sociabilidade e compreender isto é fundamental para entender as bases dos discursos integristas contemporâneos e também as perspectivas de construção de uma saída alternativa.

ATER

 

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